Efeitos do Treinamento em Meditação por Oito Semanas na Resposta Emocional (Desbordes 2012)

A última edição da revista “Frontiers in Human Neuroscience” traz artigo de Desbordes e cols demonstrando alteração no funcionamento da amígdala, uma das principais estruturas cerebrais relacionadas ao processamento emocional, após somente oito semanas de treinamento em duas adaptações ocidentais de técnicas de meditação consagradas.

São dois programas de treinamento que vem se popularizando através de cursos, workshops e seminários ao redor do mundo, o “Mindful Attention Training” (MAT) e o “Cognitively-Based Compassion Training” (CBCT).

O MAT é uma adaptação da meditação zen, em que treina-se a atenção focada na consciência a cada momento.

Já a CBCT deriva da prática tibetana de meditação em temas relacionados a compaixão.

Incontáveis estudos demonstraram que praticantes experientes (bem como iniciantes que passam por oito semanas de treinamento) apresentam um funcionamento amigdaliano menos intenso que o de grupos controle durante o estado meditativo.

Contudo pouco se publicou sobre a alteração deste funcionamento fora do estado meditativo nestes mesmos indivíduos – essa pessquisa vem justamente agregar mais evidências a percepção que estudiosos e praticantes têm sobre o tema: os efeitos benéficos da meditação em termos de diminuição de sintomas ansiosos e/ou depressivos se prolongam para além do momento da prática.

Foram selecionados adultos saudáveis sem experiência prévia com nenhuma técnica de meditação, separados em três grupos: MAT, CBCT e um grupo controle.

Os participantes foram submetidos a ressonância magnética funcional (fMRI) antes e após a conclusão do treinamento, fora do estado meditativo, e durante a qual eram apresentadas imagens com valores emocionais positivos, negativos e neutros.

No grupo MAT foi evidenciada uma diminuição da ativação amigdaliana direita em resposta a todas as imagens, em especial a imagens com valência emocional positiva.

No grupo CBCT houve um aumento na resposta amigdaliana direita quando da exposição a imagens negativas, sendo observado uma diminuição do escore depressivo correlacionado.

No grupo controle não houve diferença entre o exame pré e pós tratamento.

Segundo os autores, os achados sugerem que o treinamento meditativo parece alterar o processamento emocional mesmo fora do estado de meditação, trazendo alterações duradouras no funcionamento mental dos indivíduos.

 

 

Veja o resumo original a seguir ou no site de origem

Effects of mindful-attention and compassion meditation training on amygdala response to emotional stimuli in an ordinary, non-meditative state

Gaëlle Desbordes1,2*, Lobsang T. Negi3, Thaddeus W. W. Pace4, B. Alan Wallace5, Charles L. Raison6 and Eric L. Schwartz2,7
  • 1Athinoula A. Martinos Center for Biomedical Imaging, Massachusetts General Hospital, Boston, MA, USA
  • 2Center for Computational Neuroscience and Neural Technology, Boston University, Boston, MA, USA
  • 3Department of Religion, Emory University, Atlanta, GA, USA
  • 4Department of Psychiatry and Behavioral Sciences, Emory University School of Medicine, Atlanta, GA, USA
  • 5Santa Barbara Institute for Consciousness Studies, Santa Barbara, CA, USA
  • 6Department of Psychiatry, College of Medicine and Norton School of Family and Consumer Sciences, College of Agriculture, University of Arizona, Tucson, AZ, USA
  • 7Department of Electrical and Computer Engineering, Boston University, Boston, MA, USA

The amygdala has been repeatedly implicated in emotional processing of both positive and negative-valence stimuli. Previous studies suggest that the amygdala response to emotional stimuli is lower when the subject is in a meditative state of mindful-attention, both in beginner meditators after an 8-week meditation intervention and in expert meditators. However, the longitudinal effects of meditation training on amygdala responses have not been reported when participants are in an ordinary, non-meditative state. In this study, we investigated how 8 weeks of training in meditation affects amygdala responses to emotional stimuli in subjects when in a non-meditative state. Healthy adults with no prior meditation experience took part in 8 weeks of either Mindful Attention Training (MAT), Cognitively-Based Compassion Training (CBCT; a program based on Tibetan Buddhist compassion meditation practices), or an active control intervention. Before and after the intervention, participants underwent an fMRI experiment during which they were presented images with positive, negative, and neutral emotional valences from the IAPS database while remaining in an ordinary, non-meditative state. Using a region-of-interest analysis, we found a longitudinal decrease in right amygdala activation in the Mindful Attention group in response to positive images, and in response to images of all valences overall. In the CBCT group, we found a trend increase in right amygdala response to negative images, which was significantly correlated with a decrease in depression score. No effects or trends were observed in the control group. This finding suggests that the effects of meditation training on emotional processing might transfer to non-meditative states. This is consistent with the hypothesis that meditation training may induce learning that is not stimulus- or task-specific, but process-specific, and thereby may result in enduring changes in mental function.

Keywords: meditation, mindfulness, attention, compassion, amygdala, emotion, fMRI

Citation: Desbordes G, Negi LT, Pace TWW, Wallace BA, Raison CL and Schwartz EL (2012) Effects of mindful-attention and compassion meditation training on amygdala response to emotional stimuli in an ordinary, non-meditative state. Front. Hum. Neurosci. 6:292. doi: 10.3389/fnhum.2012.00292

Received: 01 February 2012; Accepted: 03 October 2012;
Published online: 01 November 2012.

Edited by:

Amishi P. Jha, University of Miami, USA

Reviewed by:

Hidenao Fukuyama, Kyoto University, Japan
Marieke K. Van Vugt, University of Groningen, Netherlands

Copyright © 2012 Desbordes, Negi, Pace, Wallace, Raison and Schwartz. This is an open-access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License, which permits use, distribution and reproduction in other forums, provided the original authors and source are credited and subject to any copyright notices concerning any third-party graphics etc.

*Correspondence: Gaëlle Desbordes, Athinoula A. Martinos Center for Biomedical Imaging, Massachusetts General Hospital, 149 Thirteenth St. Suite 2301, Boston, MA 02129, USA. e-mail: desbordes@gmail.com

Publicado por

Dr. Gustavo Amadera

Médico Psiquiatra formado pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (CREMESP no. 117.682, RQE no. 26302), membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP – matrícula no. 8465), da American Academy of Psychiatry and the Law (AAPL - id no. 108247), da Society for Neuroscience (SFN – no. 210488011) e da Associação Paulista de Medicina (APM - Inscrição no. 80007838). Ex-Conselheiro do Conselho Municipal de Políticas sobre Álcool e outras Drogas (COMAD-Atibaia). Perito Psiquiatra credenciado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), Tribunal Regional Federal (TRF3/JFSP), Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP e TRT-15) e pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo (DRS-VII Campinas).