Quando o Uso Deixa de Ser Recreativo – Critérios Diagnósticos para Abuso de Substâncias de acordo com o DSM-IV

Publicado de forma adaptada no blog internacaoinvoluntaria.wordpress.com e no site da Clínica Feminina Vitoriosos

 

A característica essencial do Abuso de Substância é um padrão mal-adaptativo de uso de substância, manifestado por conseqüências adversas recorrentes e significativas relacionadas ao uso repetido da substância. Pode haver um fracasso repetido em cumprir obrigações importantes relativas a seu papel, uso repetido em situações nas quais isto apresenta perigo físico, múltiplos problemas legais e problemas sociais e interpessoais recorrentes (Critério A).

 

Esses problemas devem acontecer de maneira recorrente, durante o mesmo período de 12 meses. À diferença dos critérios para Dependência de Substância, os critérios para Abuso de Substância não incluem tolerância, abstinência ou um padrão de uso compulsivo, incluindo, ao invés disso, apenas as conseqüências prejudiciais do uso repetido.

 

Um diagnóstico de Abuso de Substância é cancelado pelo diagnóstico de Dependência de Substância, se o padrão de uso da substância pelo indivíduo alguma vez já satisfez os critérios para Dependência para esta classe de substâncias (Critério B). Embora um diagnóstico de Abuso de Substância seja mais provável em indivíduos que apenas recentemente começaram a consumi-la, alguns indivíduos continuam por um longo período de tempo sofrendo as conseqüências sociais adversas relacionadas à substância, sem desenvolverem evidências de Dependência de Substância. A categoria Abuso de Substância não se aplica à nicotina e à cafeína.

 

O indivíduo pode repetidamente apresentar intoxicação ou outros sintomas relacionados à substância, quando deveria cumprir obrigações importantes relativas a seu papel no trabalho, na escola ou em casa (Critério A1).

 

Pode haver repetidas ausências ou fraco desempenho no trabalho, relacionados a “ressacas” recorrentes. Um estudante pode ter ausências, suspensões ou expulsões da escola relacionadas à substância. Enquanto intoxicado, o indivíduo pode negligenciar os filhos ou os afazeres domésticos.

 

A pessoa pode apresentar-se repetidamente intoxicada em situações nas quais isto representa perigo físico (por ex., ao dirigir um automóvel, operar máquinas ou em comportamentos recreativos arriscados, tais como nadar ou praticar montanhismo) (Critério A2).

 

Podem ser observados problemas legais recorrentes relacionados à substância (por ex., detenções por conduta desordeira, agressão e espancamento, direção sob influência da substância) (Critério A3). O indivíduo pode continuar utilizando a substância, apesar de uma história de conseqüências sociais ou interpessoais indesejáveis, persistentes ou recorrentes (por ex., conflito com o cônjuge ou divórcio, lutas corporais ou verbais) (Critério A4).

 

 

Critérios para Abuso de Substância


A. Um padrão mal-adaptativo de uso de substância levando a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo, manifestado por um (ou mais) dos seguintes aspectos, ocorrendo dentro de um período de 12 meses:

(1) uso recorrente da substância resultando em um fracasso em cumprir obrigações importantes relativas a seu papel no trabalho, na escola ou em casa (por ex., repetidas ausências ou fraco desempenho ocupacional relacionados ao uso de substância; ausências, suspensões ou expulsões da escola relacionadas a substância; negligência dos filhos ou dos afazeres domésticos)

(2) uso recorrente da substância em situações nas quais isto representa perigo físico (por ex., dirigir um veículo ou operar uma máquina quando prejudicado pelo uso da substância)

(3) problemas legais recorrentes relacionados à substância (por ex., detenções por conduta desordeira relacionada a substância)

(4) uso continuado da substância, apesar de problemas sociais ou interpessoais persistentes ou recorrentes causados ou exacerbados pelos efeitos da substância (por ex., discussões com o cônjuge acerca das conseqüências da intoxicação, lutas corporais)

 

B. Os sintomas jamais satisfizeram os critérios para Dependência de Substância para esta classe de substância.

 

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Critérios Diagnósticos para Dependência Química (DSM-IV)

Publicado de forma adaptada no blog internacaoinvoluntaria e no site da Clínica Feminina Vitoriosos

 

Seguem os critérios diagnósticos para Dependência Química pelo Manual Estatístico e Diagnóstico (DSM-IV) da Associação de Psiquiatria Americana (APA):
Critérios para Dependência de Substância

Um padrão mal-adaptativo de uso de substância, levando a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo, manifestado por três (ou mais) dos seguintes critérios, ocorrendo a qualquer momento no mesmo período de 12 meses:

(1) tolerância, definida por qualquer um dos seguintes aspectos:

(a) uma necessidade de quantidades progressivamente maiores da substância para adquirir a intoxicação ou efeito desejado

(b) acentuada redução do efeito com o uso continuado da mesma quantidade de substância

 

(2) abstinência, manifestada por qualquer dos seguintes aspectos:

(a) síndrome de abstinência característica para a substância (consultar os Critérios A e B dos conjuntos de critérios para Abstinência das substâncias específicas)

(b) a mesma substância (ou uma substância estreitamente relacionada) é consumida para aliviar ou evitar sintomas de abstinência

 

(3) a substância é freqüentemente consumida em maiores quantidades ou por um período mais longo do que o pretendido

 

(4) existe um desejo persistente ou esforços mal-sucedidos no sentido de reduzir ou controlar o uso da substância

 

(5) muito tempo é gasto em atividades necessárias para a obtenção da substância (por ex., consultas a múltiplos médicos ou fazer longas viagens de automóvel), na utilização da substância (por ex., fumar em grupo) ou na recuperação de seus efeitos

 

(6) importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreativas são abandonadas ou reduzidas em virtude do uso da substância

 

(7) o uso da substância continua, apesar da consciência de ter um problema físico ou psicológico persistente ou recorrente que tende a ser causado ou exacerbado pela substância (por ex., uso atual de cocaína, embora o indivíduo reconheça que sua depressão é induzida por ela, ou consumo continuado de bebidas alcoólicas, embora o indivíduo reconheça que uma úlcera piorou pelo consumo do álcool).”

Síndrome de Diógenes (Revista Sua Escolha, 11/2009)

 

               

          Guardar montanhas de objetos, que não possuem nenhuma utilidade…

                                                                                   

Em casa, com a idéia de que futuramente poderão servir para algo, pode ser mais do que uma simples mania. O acumulo excessivo de “sucata” é um dos sintomas de uma patologia conhecida como a síndrome de Diógenes.

Esse transtorno é batizado com o nome do filosofo grego do século iv a.C, Diógenes de Sinope. O filósofo vivia e dormia dentro de um barril pelas ruas de Atenas, após ser exilado de sua cidade natal. A história conta que Alexandre o grande visitou o famoso filósofo lhe oferecendo o que quisesse e Diógenes apenas pediu para ela sair da frente do sol.

A síndrome de Diógenes é caracterizada por uma grave negligência quanto aos cuidados pessoais e da própria casa, retraimento e isolamento social, incluindo recusa de ajuda para melhorar sua situação, e a mania de juntar coisas velhas e lixo.

“Tais pessoas vivem em tal estado de imundice e descaso com a própria aparência (sem nenhuma vergonha) que merecem um diagnostico psiquiátrico. Pode aparecer isoladamente ou ser secundaria a uma desordem mental”. , explica o psiquiatra Luiz Scocca.

Existe muita controvérsia sobre a doença. A Organização mundial da Saúde (OMS) classifica o sintoma como colecionismo patológico, a falta de capacidade que as pessoas têm em se desfazer de objetos pessoais e velhos ou mesmo lixo.

Para o psicólogo Bayard Galvão, o transtorno não pode ser diagnosticado como TOC (Transtorno Obsessivo- Compulsivo), pois há uma diferença fundamental na voluntariedade “Pessoas com síndrome de Diógenes buscam o acumulo de lixo; já aqueles que têm TOC sofrem com um pensamento involuntário que para ser finalizado exige uma atitude que resolveria o temor envolvido nessa obsessão”

O caso mais conhecido no Brasil é da espanhola Violeta Martinez Rodrigues, de 80 anos. Ela acumulou toneladas de lixo durante  18 anos em um sobrado no Itaim Bibi,em São Paulo.

Segundo o psiquiatra e psicoterapeuta Gustavo Amadera, a maior dificuldade no tratamento para essas pessoas costuma ser convencê-las de que se trata de uma doença psiquiátrica e mostrar a família que isso é parte de uma síndrome e não um estilo de vida excêntrico somente.

“Tratar a síndrome de Diógenes equivale a tratar um prazer” ou comportamento insalubre. Significa dizer ao portador do transtorno que o que lhe torna feliz ou realizado na verdade faz mal, comenta Bayard.

Luiz Scocca avisa que mais que um tratamento , existe um manejo, uma administração desta condição. “Envolve uma iniciativa familiar, de agentes de promoção de saúde, assistentes sociais e da própria comunidade.”

Publicado na íntegra na Edição de Novembro de 2009 da Revista Sua Escolha e de forma adaptada na Edição de Abril de 2011 do Falando de Pesca