Segurança do uso de Antidepressivos na Gravidez

(publicado originalmente em gustavo.amadera.com.br)

Publicado estudo no BMJ (Reefhuis J. Specific SSRISs and birth defects: bayesian analysis to interpret new data in the context of previous reports. BMJ 2015;351:h3190), que estudou  uma amostra de cerca de 28.000 mulheres que tomaram antidepressivos da classe dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina  no início da gestação – 17.952 tiveram filhos com defeitos congênitos enquanto 9.857 tiveram filhos saudáveis.
Sabe-se que o primeiro trimestre da gestação é um período crítico no desenvolvimento fetal, então obviamente o melhor período para se discutir a segurança da prescrição de qualquer medicação é antes da gestação iniciar – contudo muitas vezes a gestação não é planejada (quando deve-se avaliar relação de risco-benefício de se manter, substituir ou suspender a medicação)  ou o transtorno psíquico surge durante o curso de uma gestação (quando deve-se avaliar risco-benefício de se introduzir ou não uma medicação, e qual medicação introduzir).
Passaram no teste o citalopram, escitalopram e sertralina, que não mostraram relação com aumento de casos de defeitos congênitos.
De especial importância foi o estudo ter descartado achados anteriores que sugeriam relação positiva com a sertralina pois considerando-se que cerca de 40% da amostra havia feito uso de sertralina, qualquer relação necessariamente teria sido percebida.
Já a fluoxetina e a paroxetina associaram-se a aumento da ordem de 2-3,5x. Conforme já evidenciado em pesquisas anteriores a fluoxetina mostrou associação com aumento de casos de craniossinostose e defeitos de paredes cardíacas enquanto a paroxetina associou-se com mal-formações cardíacas, anencefalia e defeitos de parede abdominal.
(Importante destacar que trata-se de um risco absoluto bastante baixo – p.ex. confirmando-se a relação causal, o risco absoluto de anencefalia aumentaria de 2 para 7/10.000 em mulheres usando paroxetina)

Revolução no Tratamento da Depressão (em ratos :-)

(publicado em http://gustavo.amadera.com.br)

Você se lembra do furor causado pela publicação da primeira  pesquisa com quetamina em depressivos crônicos refratários que prometia revolucionar o tratamento da depressão com melhoras também extremamente rápidas (e que, apesar da amostra pequena, avaliava a resposta em humanos)?

Mas ainda que a promessa de uma cura milagrosa não seja possível com este (ou com qualquer outro) fármaco, devemos aplaudir as tentativas de ampliar nosso arsenal terapêutico disponível.

Por Karen Carneti –  Publicação original portal Info

Foto por: iStock

Novo medicamento pode revolucionar o tratamento da depressão

A depressão é uma doença psiquiátrica muito complexa, que se caracteriza pela perda de prazer nas atividades diárias, apatia, alterações cognitivas e de apetite, entre outros. Por ser diferente da tristeza comum que a maioria das pessoas sente em algum momento da vida, ela ainda é um mistério para a medicina – já que pode acometer qualquer pessoa em qualquer período da vida. Para tentar ajudar no tratamento da patologia, que ainda não tem cura, cientistas acabam de descobrir um medicamento que pode melhorar os sintomas da depressão em apenas 24 horas.

A maioria das medicações usadas no tratamento da depressão atualmente ajuda a equilibrar o nível de serotonina no cérebro – neurotransmissor responsável pelo humor e que, normalmente, nessas pessoas, acaba sendo “mal distribuído” pelo cérebro. O maior problema é que esses remédios podem demorar até oito semanas para fazer efeito e os pacientes podem sofrer diversos efeitos colaterais até seus organismos se acostumarem com eles.

O novo medicamento tem como foco outro neurotransmissor, o ácido gama-aminobutírico (mais conhecido pela sigla em inglês GABA), responsável pela regulação da excitabilidade neuronal ao longo do sistema nervoso. Os testes feitos em ratos mostraram que a medicação foi capaz de melhorar os sintomas da depressão em apenas 24 horas.

“Temos provas de que estes compostos podem aliviar os sintomas devastadores da depressão em menos de um dia, e de uma forma que limita algumas das principais fraquezas das abordagens atuais”, disse Scott Thompson, presidente do Departamento de Fisiologia da Escola de Medicina da Universidade de Maryland e principal autor do estudo.

Os testes com ratos mostraram que os compostos aumentaram rapidamente a força de comunicação excitatória em regiões que estavam enfraquecidas pelo estresse e que se acredita serem enfraquecidas pela depressão humana. Já em ratos que não estavam estressados, a medicação não mostrou efeito algum. Com isso, os pesquisadores acreditam que ela não terá efeitos colaterais em humanos.

Segundo Thompson, o medicamento agora precisa mostrar sua eficácia em humanos para poder, um dia, chegar ao mercado. “Agora, será tremendamente empolgante descobrir se eles produzem efeitos semelhantes em pacientes deprimidos. Se estes compostos puderem rapidamente fornecer alívio dos sintomas da depressão humana, tais como pensamentos suicidas, eles têm capacidade para revolucionar a forma como os pacientes são tratados”, disse ele.

Fonte: Science Daily

Não foi convidado para a festa? Tome um Tylenol!

(Publicado originalmente no http://gustavo.amadera.com.br)

As interações sociais são um aspecto tão básico da experiência humana que uma rejeição social é experienciada como uma dor física por muitos indivíduos – a idéia de que uma droga desenvolvida para aliviar dor física poderia reduzir esta dor “social” foi testada por Dewall (Acetaminophen reduces social pain: behavioral and neural evidence. Psychol Sci. 2010 Jul;21(7):931-7.) com resultados bastante interessantes.

A pesquisa envolveu dois experimentos nos quais os participantes recebiam paracetamol ou placebo diariamente (duas vezes ao dia) por 3 semanas.

De acordo com os autores a dor física ou causada por rejeição social seria parte inevitável da vida humana – e partindo do princípio que ambos os tipos de dor possivelmente envolvem os mesmos mecanismos comportamentais e neurais, um analgésico simples poderia diminuir a resposta a rejeição social.

A hipótese foi confirmada através tanto de informações fornecidas pelos participantes quanto por estudos de neuroimagem funcional.

No Experimento 1, 30 indivíduos (24 mulheres) receberam paracetamol 500mg ao acordar e antes de dormir por 3 semanas, enquanto outros 32 indivíduos (24 mulheres) receberam placebo. Diariamente todos preenchiam uma escala que avalia “sentimentos feridos” (Hurt Feeling Scale) indicando quanta dor social teriam enfrentado no dia.

A partir do 10o dia os indivíduos recebendo o anti-inflamatório passaram a relatar menos dor social que os do grupo placebo –  essa diferença se mostrou maior ainda no 21o dia (p<0,005).

(Considerando-se o mecanismo de ação conhecido da droga e sua meia vida/tempo de ação de somente 4-6h, pode-se somente imaginar o que motivou a latência de 10 dias para início da resposta já que não se esperam efeitos cumulativos químicos – os autores sugerem que a diminuição da percepção dos “sentimentos feridos” poderia após algum tempo levar a uma reavaliação da experiência de rejeição social.)

No Experimento 2 a dose de paracetamol foi aumentada para 2000mg diários por 3 semanas, sendo realizada uma ressonância magnética funcional ao final, com menor atividade no cingulado e ínsula anteriores em resposta a exclusão social.

 

Reativando, Mudança de hospedagem, Migração…

Boa noite, você está acessando o site já liberto da UOLHost, e deve ter percebido a mudança absurda de velocidade de carregamento – alguns problemas transitórios são esperados (a UOLHost parece operadora de telefonia celular, cria um ambiente de areia movediça no caminho até a saída rs, como se pudessem te prender vencendo pelo cansaço ao invés de oferecerem serviços e preços melhores…) mas de qualquer forma a mudança deve ser para melhor.

Gostaria de convidá-los a migrarem conosco para outra plataforma, gustavo.amadera.com.br, que vai hospedar no futuro de forma mais dinâmica todo o conteúdo do KIAI.med.br em definitivo.

Visitem também o rascunho da nossa página de divulgação amadera.com.br, que reúne no momento somente informações básicas curriculares minhas e de meus irmãos Drs. Ricardo Amadera (Psicólogo especialista em Terapia Cognitivo Comportamental – TCC) e João Amadera (Médico Fisiatra especialista em Coluna) além de nossos contatos.

Mais uma vez agradeço o prestígio e reconhecimento nos milhões de acessos que a kiai.med.br teve ao longo dos últimos 10 anos!