Sobre os Vetos a Lei do Ato Médico, a importação de profissionais estrangeiros e a ameça chinesa!

A imprensa oficial, através do portal brasil.gov.br, divulgou a sanção da Lei 12.842/2013 que, após décadas de atraso, deveria definir os atos privativos dos profissionais médicos no país.

Como Projeto de Lei foi discutido amplamente pelo Congresso e Senado Federal na última década, com inúmeras alterações ao texto original, sendo finalmente aprovado um texto que atendia as demandas tanto dos profissionais da medicina quanto da população em geral.

Infelizmente nosso (bastante enfraquecido) poder executivo vetou pontos vitais do projeto ao sancionar a Lei.

Não se questiona, mesmo entre aqueles que fazem parte do lobby que conseguiu estes vetos, que o médico é o profissional que realiza diagnóstico de doenças, é quem prescreve tratamentos para doenças (sejam medicamentos ou procedimentos cirúrgicos) e é quem poderia estabelecer o prognóstico da doença diagnosticada.

Vejam bem, estamos falando de diagnóstico e tratamento médicos.

Não estamos falando sobre diagnóstico e tratamento psicológico, fisioterápico, energético ou social.

Não estamos falando em acabar com a multidisciplinaridade das equipes de saúde – o médico precisa dos outros profissionais na equipe, assim como estes precisam do médico!

Sob o pretexto de não comprometer programas de Saúde Pública (como os de combate a Tuberculose e Hanseníase), essa prerrogativa médica foi abolida.

A resposta do Governo Federal as manifestações populares que eclodiram em todo o país em junho/2013 demonstra o despreparo e a ausência completa de planejamento para lidar com os problemas que o país enfrenta.

Afinal, medidas de impacto a curto prazo podem ganhar uma eleição.

E ao grupo que vier a assumir o controle das estruturas de poder futuramente sempre caberá o recurso de se queixar por vários anos da “herança maldita” recebida dos antecessores…

A resistência dos médicos a importação de profissionais estrangeiros sem o processo habitual de revalidação de diploma (diga-se de passagem, praxe em qualquer país do mundo) é atacada pelos ideólogos do poder atual como uma simples defesa corporativista de mercado.

O médico brasileiro custa caro.

Solução?

Atrair médicos mais “baratos”, se possível no atacado.

E já abordando um tema espinhoso que ainda não ouvi sendo discutido no caso da importação de colegas: é preciso criar taxas de importação diferenciadas!

– taxas menores para parceiros do Mercosul

– talvez até a isenção de taxas para parceiros ideológicos (Cuba!)

– e o mais importante, para não sofrermos como nossa indústria sofreu, precisamos nos preparar para a China – incontestavelmente o fornecedor de produtos e serviços com os melhores preços do mundo!

Quem nunca viu um carro com o adesivo “sem advogado não se faz justiça”? No caso da saúde, exigir a presença de médicos em todas as equipes de saúde é corporativismo. E ainda por cima, caro.

Solução?

Oras, “cortem a cabeça” do artigo que tornava prerrogativa médica o diagnóstico e tratamento médicos!

Outros profissionais podem seguir cartilhas com orientações de diagnóstico e tratamento médico nas regiões que não oferecem mínimas condições de trabalho para os médicos brasileiros.

“E caso persistam os sintomas o médico deverá ser consultado” – vamos torcer para os sintomas somente persistirem, e não se agravarem, quem sabe a tempo de importarmos ao menos alguns profissionais menos exigentes em termos de condições de trabalho?

Não existe segredo, o número de médicos no país está acima do padrão recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), o problema é a concentração destes nas regiões que oferecem melhores condições de trabalho.

O número de médicos no país é muito maior que o número de Juízes, por exemplo. Mas não existem cartilhas e manuais orientando escreventes a realizarem julgamentos. Quem julga é o Juiz. Por que a falta de Juízes fora dos grandes centros urbanos não é um problema?

O enfrentamento real do problema seria oferecer condições dignas de trabalho, com a criação de planos de carreira para os médicos que atuassem no SUS (Sistema Único de Saúde).

Mas, pensando bem… Imaginem a economia aos cofres públicos que a importação de juízes (e delegados, vereadores, deputados, …) mais “em conta” não traria? Fica a dica aos nossos brilhantes governantes!

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Lei do Ato Médico Aprovada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte

da Agência Senado

O substitutivo da Câmara ao Projeto de Lei do Senado (PLS) 268/02, que regulamenta o exercício da medicina e estabelece quais são as atividades privativas dos médicos, obteve nesta quarta-feira (12) parecer favorável da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). O texto será ainda submetido à Comissão de Assuntos Sociais (CAS) para, em seguida, chegar finalmente ao Plenário.

A aprovação ocorreu por unanimidade, após a realização de uma audiência pública conjunta sobre o tema, promovida pela CE e pela CAS, quando foram ouvidos representantes dos Ministérios da Saúde e da Educação e do Conselho Nacional de Educação.

Antes da votação, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) sugeriu a formação de uma mesa de negociação, para buscar um consenso entre médicos e outros profissionais de saúde, que temem ver suas atividades cerceadas pelas normas contidas no projeto. A senadora Ana Amélia (PP-RS), que presidia a reunião, lembrou que o texto voltará a ser debatido na CAS, antes da decisão final do Plenário.

As principais divergências em torno do texto referem-se ao artigo quarto, onde estão definidas as atribuições exclusivas dos médicos. Mas o projeto foi submetido à CE, antes de seguir para a CAS, por tratar do tema da formação profissional. Segundo o substitutivo, são privativos dos médicos o ensino de disciplinas especificamente médicas e a coordenação dos cursos de graduação em medicina, dos programas de residência médica e dos cursos de pós-graduação específicos para médicos.

O relator da matéria na CE, senador Cássio Cunha (PSDB-PB), optou por manter o texto já aprovado anteriormente pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Em sua opinião, a redação acatada pela CCJ é a que “melhor atende às demandas das outras categorias profissionais interessadas no projeto de regulamentação da medicina”.

Os 14 itens do artigo quarto do texto aprovado definem quais são as atividades privativas dos médicos. Entre elas, a formulação de diagnóstico nosológico e a respectiva prescrição terapêutica; a indicação e execução de intervenção cirúrgica e prescrição de cuidados médicos pré e pós-operatórios; a indicação da execução e execução de procedimentos invasivos; e a execução de sedação profunda, bloqueios anestésicos e anestesia geral.

Audiência

A última audiência sobre o projeto antes da votação ocorreu em uma reunião conjunta da CE e da CAS, encerrada minutos antes da realização da reunião da CE durante a qual a matéria foi colocada em votação.

Durante a audiência, a coordenadora geral do Departamento de Gestão e da Regulação do Trabalho em Saúde, do Ministério da Saúde, Miraci Mendes, elogiou o substitutivo em debate, mas observou que ainda existiam resistências a alguns pontos da proposta por parte de conselhos profissionais ligados à área da saúde. Para ela, “seria fundamental continuar o diálogo”, a fim de se alcançar um acordo entre todos os profissionais da área de saúde.

O secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Amaro Henrique Lins, considerou importante a aprovação de um projeto que defina as atribuições dos médicos, mas lembrou que cabe ao profissional médico “trabalhar de forma harmoniosa em equipe”. Por sua vez, o representante do Conselho Nacional de Educação, Luis Roberto Liza Curi, ressaltou a necessidade de flexibilização da formação dos profissionais de saúde, levando em conta a interdisciplinaridade.

Durante o debate, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que a disputa entre os diversos profissionais da área de saúde em torno do projeto era a “prova mais cabal da crise da saúde brasileira”. Vanessa Grazziotin pediu que se ampliasse o diálogo a respeito do tema, uma vez que as divergências limitavam-se a poucos pontos, como o dispositivo que considera o diagnóstico nosológico atribuição dos médicos.

O senador Cyro Miranda (PSDB-GO) recordou que o tema vem sendo debatido há mais de 10 anos no Congresso Nacional.  Da mesma forma, o senador Paulo Davim (PV-RN) considerou falsa a ideia de que existiria uma “guerra santa” entre os diversos profissionais de saúde. O senador Waldemir Moka (PMDB-MS) pediu aos críticos da proposta para que apontassem, com objetividade, onde estaria no projeto o impedimento do exercício de outras profissões. Por sua vez, o senador João Capiberibe (PSB-AP) lembrou que existem 365 municípios no país onde não há nenhum médico. As equipes de profissionais de saúde desses municípios, observou, dependeriam então de médicos residentes em outros municípios.

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