Divórcio ligado a aumento do risco de acidente vascular cerebral (Medscape)

por Sue Hughes, equipe Medscape (10 de julho de 2017)

O divórcio parece conferir maior risco de acidente vascular cerebral (AVC) em comparação com outros estados civis (casado, solteiro não divorciado, ou viúvo), sugere novo estudo, com este efeito aparentemente mais pronunciado em homens.

O estudo, apresentado na recente 3rd European Stroke Organisation Conference (ESOC) 2017, mostrou que viver casado ou viver sozinho – solteiro ou viúvo – não alterou o risco de acidente vascular cerebral em grau clinicamente significativo, mas os índices de AVC foram mais elevados entre os homens divorciados.

“Já houve alguns estudos mostrando que o casamento está associado a menor risco de acidente vascular cerebral e outros eventos clínicos, mas as diferenças de distintas situações conjugais – celibato, viuvez ou divórcio – não foram respondidas”, comentou ao Medscape o coautor do estudo, Dr. Tom Skyhøj Olsen, médico do Bispebjerg University Hospital, em Copenhague (Dinamarca).

“Nossos dados parecem sugerir que não importa se você é casado ou solteiro – o que parece modificar o risco de AVC é a mudança das condições de vida associadas ao divórcio. E isso parece atingir mais os homens do que as mulheres”.

Dr. Olsen sugeriu que seus resultados podem ser explicados como o divórcio exercendo efeitos adversos no estilo de vida. “O divórcio costuma estar associado a uma avalanche de problemas – moradia, estresse econômico e emocional – e isso pode ser acompanhado de aumento do consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas”.

“As pessoas casadas geralmente têm um estilo de vida mais saudável do que as pessoas não casadas”, acrescentou o pesquisador. “Muitos estudos demonstraram isso. As pessoas casadas geralmente têm menores índices de tabagismo e de consumo de bebidas alcoólicas”.

Sobre a diferença observada entre os homens e as mulheres, o Dr. Olsen disse: “Nossos resultados podem sinalizar uma diferença de gênero na capacidade de se adaptar às mudanças que o divórcio traz. As mulheres podem lidar melhor com isso do que os homens”.

Para este estudo, os pesquisadores analisaram os dados do sistema de registro civil dinamarquês sobre idade, sexo, estado civil (casado, solteiro, divorciado ou viúvo), nível de escolaridade e renda disponível, além de dados do Danish Stroke Register(registro dinamarquês de AVC), que contém informações sobre todos os pacientes que deram entrada em algum hospital com diagnóstico de acidente vascular cerebral agudo na Dinamarca.

Os pesquisadores investigaram o estado civil de todos os pacientes com mais de 40 anos de idade internados em um hospital de 2003 a 2012 em comparação à população geral na Dinamarca. Os riscos relativos de acidente vascular encefálico em relação ao estado civil foram estimados com ajuste para idade, sexo, ano de ocorrência, renda familiar e nível de escolaridade.

O estudo incluiu 58.807 pacientes com história de AVC, dos quais 52% eram casados, 9% eram solteiros, 13% eram divorciados e 26% eram viúvos.

Os resultados mostraram que após o ajuste por idade, sexo, ano de ocorrência, renda e escolaridade, quando comparados às pessoas casadas, os solteiros não divorciados e os viúvos não apresentavam aumento do risco de AVC, mas os divorciados exibiam aumento significativo do risco de acidente vascular cerebral. Esse aumento do risco foi mais pronunciado entre os homens divorciados (hazard ratio, HR = 1,23) do que entre as mulheres divorciadas (HR = 1,11).

Tabela. Incidência de acidente vascular cerebral por estado civil entre homens e mulheres

Estado civil Risco relativo (intervalo de confiança de 95%)
Homens
Casados 1,00 (referência)
Solteiros 1,07 (1,03 a 1,11)
Divorciados 1,23 (1,19 a 1,27)
Viúvos 1,02 (0,98 a 1,06)
Mulheres
Casadas 1,00 (referência)
Solteiras 0,97 (0,97 a 1,03)
Divorciadas 1,11 (1,06 a 1,15)
Viúvas 1,00 (0,97 a 1,03)

O Dr. Olsen concluiu: “Nosso estudo parece refletir os benefícios de viver em harmonia – seja em parceria ou sozinho. Talvez não seja o fato de estar sozinho que aumente o risco, mas sim a desarmonia do divórcio. A maioria das pessoas que se divorciou vai dizer que esse período de suas vidas foi um período de desarmonia”.

“Precisamos pensar mais na nossa saúde em tempos de desarmonia, como o divórcio, mas isso é difícil, pois muitas vezes outras coisas a serem tratadas nesta época são aparentemente mais urgentes – a saúde pode não ser a prioridade”.

O estudo analisou somente o estado civil no ano anterior ao acidente vascular cerebral, de modo que os dados dele não abrangem o período de tempo durante o qual alguém esteve divorciado.

O estudo foi financiado pela Jascha Foundation, fundação de pesquisa privada na Dinamarca.

3rd European Stroke Organisation Conference (ESOC) 2017. Sessão SC16. Apresentado em maio de 2017.

Tabela. Incidência de acidente vascular cerebral por estado civil entre homens e mulheres

Estado civil Risco relativo (intervalo de confiança de 95%)
Homens
Casados 1,00 (referência)
Solteiros 1,07 (1,03 a 1,11)
Divorciados 1,23 (1,19 a 1,27)
Viúvos 1,02 (0,98 a 1,06)
Mulheres
Casadas 1,00 (referência)
Solteiras 0,97 (0,97 a 1,03)
Divorciadas 1,11 (1,06 a 1,15)
Viúvas 1,00 (0,97 a 1,03)

O Dr. Olsen concluiu: “Nosso estudo parece refletir os benefícios de viver em harmonia – seja em parceria ou sozinho. Talvez não seja o fato de estar sozinho que aumente o risco, mas sim a desarmonia do divórcio. A maioria das pessoas que se divorciou vai dizer que esse período de suas vidas foi um período de desarmonia”.

“Precisamos pensar mais na nossa saúde em tempos de desarmonia, como o divórcio, mas isso é difícil, pois muitas vezes outras coisas a serem tratadas nesta época são aparentemente mais urgentes – a saúde pode não ser a prioridade”.

O estudo analisou somente o estado civil no ano anterior ao acidente vascular cerebral, de modo que os dados dele não abrangem o período de tempo durante o qual alguém esteve divorciado.

O estudo foi financiado pela Jascha Foundation, fundação de pesquisa privada na Dinamarca.

3rd European Stroke Organisation Conference (ESOC) 2017. Sessão SC16. Apresentado em maio de 2017.

Antibióticos como tratamento adjunto nas Síndromes Depressivas?

Conventional antidepressant treatments result in symptom remission in 30% of those treated for major depressive disorder, raising the need for effective adjunctive therapies. Inflammation has an established role in the pathophysiology of major depressive disorder, and minocycline has been shown to modify the immune-inflammatory processes and also reduce oxidative stress and promote neuronal growth. This double-blind, randomised, placebo-controlled trial examined adjunctive minocycline (200 mg/day, in addition to treatment as usual) for major depressive disorder. This double-blind, randomised, placebo-controlled trial investigated 200 mg/day adjunctive minocycline (in addition to treatment as usual) for major depressive disorder.

A total of 71 adults with major depressive disorder (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders–Fourth Edition) were randomised to this 12-week trial. Outcome measures included the Montgomery–Asberg Depression Rating Scale (primary outcome), Clinical Global Impression–Improvement and Clinical Global Impression–Severity, Hamilton Anxiety Rating Scale, Quality of Life Enjoyment and Satisfaction Questionnaire, Social and Occupational Functioning Scale and the Range of Impaired Functioning Tool. The study was registered on the Australian and New Zealand Clinical Trials Register: www.anzctr.org.au, #ACTRN12612000283875.

Based on mixed-methods repeated measures analysis of variance at week 12, there was no significant difference in Montgomery–Asberg Depression Rating Scale scores between groups. However, there were significant differences, favouring the minocycline group at week 12 for Clinical Global Impression–Improvement score – effect size (95% confidence interval) = −0.62 [−1.8, −0.3], p = 0.02; Quality of Life Enjoyment and Satisfaction Questionnaire score – effect size (confidence interval) = −0.12 [0.0, 0.2], p < 0.001; and Social and Occupational Functioning Scale and the Range of Impaired Functioning Tool score – 0.79 [−4.5, −1.4], p < 0.001. These effects remained at follow-up (week 16), and Patient Global Impression also became significant, effect size (confidence interval) = 0.57 [−1.7, −0.4], p = 0.017.

While the primary outcome was not significant, the improvements in other comprehensive clinical measures suggest that minocycline may be a useful adjunct to improve global experience, functioning and quality of life in people with major depressive disorder. Further studies are warranted to confirm the potential of this accessible agent to optimise treatment outcomes.

(publicado no Australian & New Zealand Journal of Psychiatry)

Antibiótico inibindo formação de memória relacionada ao medo, possível avanço no tratamento precoce do TEPT/PTSD

Artigo publicado na revista Molecular Psychiatry demonstrou inibição de formação de memória relacionada ao medo com uso do antibiótico doxiciclina, indicando nova possibilidade terapêutica no Transtorno do Estresse Pós-Traumático.

A doxiciclina inibiria a ação enzimática extracelular da MMP (metaloproteinase), interferindo com a remodelagem sináptica necessária para o aprendizado de estímulos ameaçadores.

Siga o link para o artigo completo na revista Molecular Psychiatry.

 

Cremesp apoia descriminalização do porte de Cannabis para uso próprio

cremesp.org.br.jpg

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) emitiu nota pública pela descriminalização do porte de Cannabis para uso próprio aprovada pela Câmara Tecnica de Psiquiatria, em reunião realizada em 30/09/2016 e, posteriormente, na 4748ª Reunião Plenária, de 25/10/2016. A Câmara Técnica de Psiquiatria discutiu o tema, levando em consideração as consequências do uso e do porte de drogas para a Saúde Pública e, portanto, o protagonismo da Medicina nesta discussão.

Em agosto de 2016 completaram-se dez anos de vigência da Lei 11.343, a chamada Lei de Drogas, que prescreve medidas de prevenção do uso indevido, de atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas, estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas e define crimes. Tramita no Supremo Tribunal Federal a análise do artigo 28 da referida lei, que trata da criminalização do porte de drogas para consumo próprio.

Desde 2012, o Cremesp defende que o tema das drogas e de seu consumo abusivo devem ser enfrentados na esfera da Saúde Pública, tendo como princípio fundamental a busca de um equilíbrio entre o interesse coletivo e o individual. Apoiado em evidências científicas, o Cremesp destaca os riscos à saúde associados ao consumo de tais substâncias e considera fundamental que haja politicas públicas que façam a prevenção de seu uso. No entanto, o modelo criminalizante, majoritário na História brasileira, desfavorece o acesso da população às informações necessárias para o alerta sobre os danos causados pelo uso dessas substâncias e aos cuidados assistenciais a que têm direito aqueles que sofrem agravos dele decorrentes.

Veja AQUI íntegra da nota

Fonte: CREMESP

(publicado no blog gustavo.amadera.com.br)

Comunicado ABP – Prova para Título de Especialista 2016

Link artigo original da ABP

Rio de Janeiro, 17 de novembro de 2016.

Comunicado aos associados da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP e

Candidatos da Prova de Titulo de Especialista em Psiquiatria/2016

Como é do conhecimento geral, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP realizaria, no dia 16 de novembro de 2016, por delegação da Associação Médica Brasileira – AMB, a prova para obtenção do Título de Especialista em Psiquiatria.

Ocorre que no dia 04 de novembro, 6a feira,a ABP foi intimada acerca de medida liminar com tutela de urgência concedida pelo Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, em ação movida pela Associação Brasileira de Médicos Pós graduando ou Pós graduados em Cursos Reconhecidos pelo Governo Federal – MEC. A ação ainda não foi julgada, mas a medida liminar (ora em vigor) determinou que a ABP alterasse o item 4.3.2, alínea ´g,´ do Edital do Prova para obtenção do Título de Especialista em Psiquiatria/2016 em 24 horas.

Tal determinação judicial fez com que a ABP fosse obrigada a aceitar a inscrição de candidatos que “possuem curso de especialização na área de PSIQUIATRIA, reconhecidos pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura)”,ou seja, que tivessem cursado Cursos de pós-graduação lacto-sensu reconhecidos pelo MEC, com carga horária mínima de 360 horas, sem a necessidade de comprovação de seis anos de prática clínica em psiquiatria e também 100 (CEM) pontos em eventos científicos. Diferente do determinava os requisitos previstos no Edital original aprovado pela AMB.

A ABP cumpriu o determinado pelo Poder Judiciário, caso não o fizesse teria que pagar multa diária de R$ 10.000,00 por descumprimento comprovado. Ou seja, se não alterássemos o edital e não aceitássemos a inscrição dos 100 médicos interessados, teríamos que pagar multa de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais), se tivéssemos alterado a data de inicio das inscrições determinadas pela liminar, pagaríamos mais R$ 1.000.000,00 (hum milhão). Se não tivéssemos aceitado o pagamento destas inscrições na data definida pela liminar, pagaríamos mais R$ 1.000.000,00 de multa e assim por diante.

Na mesma data em que foi intimada pela liminar, 04 de novembro, a ABP enviou ofício à AMB, CFM e FENAM informando o ocorrido e solicitando ajuda e, imediatamente recorreu da decisão judicial mas, como o recurso ainda está aguardando julgamento, não tivemos, ainda, êxito em suspender a liminar.

No entanto, se valendo do Decreto 8516 de 10/09/2015 e as resoluções do CFM 2.148/2016 e 2.149/2016, que descrevem ser de competência da AMB a titulação de Especialidade ou área de atuação, excetuando aqueles conferidos pela Comissão Nacional de Residência Médica, a AMB não concordou com a alteração do Edital e, consequentemente, com a inscrição de outros candidatos.

Assim, no próprio dia 16 de novembro de 2016, no dia da prova, a AMB emitiu nota em seu sítio na internet e entregou pessoalmente ofício à ABP, sobre a realização da Prova de Título de Especialista em Psiquiatria/2016 –  no qual determinou “… a suspensão temporária do concurso até resolução das pendências judiciais”.

Portanto, a Prova de Título de Especialista em Psiquiatria/2016 não foi realizada.

A ABP está, por um lado, com uma determinação judicial para aceitar a inscrição de candidatos para a prova de obtenção de Título de Especialista em Psiquiatria/2016 que não se enquadram com as regras estabelecidas pela ABP/AMB/CFM/CME. Por outro, a entidade que lhe delegou poderes para realizar tal prova, AMB, determinou a sua suspensão imediata, visto que, não conferirá o título esperado por cada candidato aprovado, uma vez que quem pode conferir tal título é a AMB exclusivamente.

A ABP está envidando todos os seus esforços possíveis para que a questão chegue a um bom termo e manterá todos informados acerca dos acontecimentos. Informamos que não há, ainda, previsão da nova data de realização da prova e que, todos os interessados serão previamente informados com a antecedência necessária.

É o que nos cabia comunicar no momento.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA – ABP

Justiça de SP condena Souza Cruz a indenizar fumante por danos morais

Publicado por Marcela Vassalo

Justia de SP condena Souza Cruz a indenizar fumante por danos morais

A Justiça de São Paulo condenou a Souza Cruz a indenizar por danos morais a funcionária pública aposentada Dolores Consuelo Zigler, de 83 anos, que alegou ter fumado dois maços de cigarro por dia durante quase 50 anos, desde quando ainda estava na adolescência. Na ação, Dolores informou que o vício lhe causou complicações pulmonares. Em decorrência do tabagismo, conforme atestado médico que juntou aos autos, sofre de “obstrução do fluxo ventilatório”. A juíza Celina Dietrich Trigueiros Teixeira Pinto, da 15.ª Vara Cível da Capital, fixou a indenização em R$ 20 mil ao reconhecer “nexo causal” entre o cigarro e a doença de Dolores.

A Souza Cruz é líder no mercado de cigarros no Brasil e integra o grupo British American Tobacco, com marcas comercializadas em 180 países. A Souza Cruz informou que já recorreu da sentença, dada em 5 de dezembro. Segundo a empresa, “em todo o Brasil, já foram proferidas mais de 500 decisões que rejeitaram ações como esta e todos os casos encerrados tiveram decisões definitivas que afastaram os pedidos indenizatórios”.

“A autora (Dolores Consuelo Zigler) não escolheu o vício, nem a doença”, assinalou a juíza da 15.ª Vara Cível de São Paulo, na sentença. “Não podia escolhê-los, porque não tinha informação suficiente sobre o fato quando lhe foi oferecida a compra de cigarros pela ré (Souza Cruz). E não se argumente que não há dificuldade em parar de fumar, ou que esta ou aquela porcentagem de norte americanos é formada por ex-fumantes que não utilizaram remédios.”

Celina Dietrich faz uma reflexão. “É claro que a intensidade da dependência varia de pessoa para pessoa, assim como a dificuldade de livrar-se dela. Entretanto, em nenhuma hipótese é possível dizer-se que um fumante viciado, e fumando dois maços de cigarros por dia, não tenha dificuldades para parar de fumar. Se fosse assim tão fácil, ninguém se disporia a pagar para ingerir remédios caros e a enfrentar os seus efeitos colaterais visando deixar de fumar, e a indústria farmacêutica não se importaria em fabricá-los.” “Quem já foi viciado que me contradiga”, afirma a magistrada.

A ação foi ajuizada quando Dolores tinha 63 anos. “Fumou por quase 50 anos, antes que se iniciassem as primeiras proibições ou limitações à propaganda de cigarros, e a veiculação de advertência nas caixinhas, visando coibir o fumo e fornecer informação suficiente aos consumidores, a fim de que pudessem efetivamente exercer alguma escolha”, assinalou a juíza. “E, da mesma forma, somente depois de mais de 40 anos é que a autora teve acesso a remédios que pudessem ajudá-la a parar de fumar.”

Para a juíza da 15.ª Vara Cível de São Paulo, “é evidente” que a Souza Cruz descumpriu o dever de informação disposto no artigo 6 º. Inciso III do Código do Consumidor, vigente desde 1990. “Somente a partir do ano de 2001 (Souza Cruz) começou a inserir a informação sobre as doenças causadas pelo fumo em suas embalagens. Antes disso, não forneceu informação adequada sobre as características nocivas e os riscos apresentados pelo produto, nem comprovou que deles não soubesse. Ao contrário, admitiu-se ciente desses males, tanto que pretendeu se exigisse da autora o mesmo conhecimento.”

A juíza é taxativa. “Desta forma, considerada a prova do nexo causal entre o cigarro e a doença pulmonar adquirida pela autora e o acesso tardio às informações sobre os males do cigarro e aos remédios para parar de fumar, não há como se afastar a responsabilidade da ré. Diante do vício físico e psicológico causado pelo cigarro, aliado à falta de informação suficiente e à ausência de medicamentos adequados para curar a dependência, não se tem como concluir que a autora tivesse mesmo capacidade de escolha consciente que a impedisse de começar a fumar, ou que a fizesse largar o vício.”

Ao julgar procedente a ação, e admitir existência do dano moral, a juíza recorreu novamente ao Código do Consumidor e também ao Código Civil, e ponderou. “Não se discute, também, que seja lícita a atividade de vender cigarros exercida pela ré, e que o produto não contenha defeito, pois essas são questões irrelevantes diante da responsabilidade objetiva determinada pelo artigo 12 do Código de Defesa do Consumidor e pelo artigo 927parágrafo único, do Código Civil, e que portanto independe da licitude do comportamento ou ainda da verificação da sua culpa do causador do dano, bastando o nexo causal entre o produto vendido e o dano, aliado à ausência de culpa de terceiro ou da vítima, para a caracterização de sua responsabilidade.”

“E não se olvide que a requerida (fabricante do cigarro) não forneceu ao consumidor todas as informações necessárias sobre o produto, mormente em se tratando da possibilidade de dano à saúde, portanto descumpriu a Legislação Consumeirista. O dano moral, por sua vez, é inafastável diante da doença enfrentada pela autora, mal físico infligido pelo consumo do produto fornecido pela ré. Para indenizá-lo, considerando grave o dano, e tendo em conta a função punitiva e pedagógica da verba, mas também o principio da moderação, fixo a quantia de R$ 20.000,00. Daí a procedência da ação.”

O valor da indenização terá correção monetária a partir da sentença e juros de mora desde a citação, mais as custas processuais e honorários advocatícios de 15% do valor da condenação.

Abertura de caminho

O advogado Paulo Esteves, autor da ação contra a Souza Cruz, disse que a sentença da 15.ª Vara Cível da Capital, de 5 de dezembro de 2015, “abre caminho para outros fumantes pleitearem o mesmo direito”. Paulo Esteves observou que mais importante que o valor da indenização a ser pago a Dolores Consuelo Zigler é que “muitos outros fumantes poderão seguir o caminho da Justiça para alcançar justa indenização pelos males sofridos”.

Nos autos do processo, segundo a juíza Celina Dietrich Trigueiros Teixeira Pinto, a Souza Cruz alegou que a decisão sobre fumar ou não coube unicamente à autora (Dolores) e que exerce atividade lícita. Além disso, a sua propaganda “não obriga ninguém ao fumo”. A empresa argumentou, ainda, que o produto comercializado, por sua vez, “também não contém defeito algum e inclusive adverte sobre possíveis malefícios”.

A Souza Cruz destacou no processo que a autora da ação, quando começou a fumar, já sabia dos males causados pelo cigarro. Salientou que há muito são veiculados anúncios sobre os riscos do cigarro para a saúde. Finalizou sua contestação ponderando que, de qualquer forma, o cigarro não causa dependência física devastadora como ocorre com drogas pesadas como heroína e cocaína.

Recurso

A Souza Cruz informa que já apresentou, no último dia 1.º de fevereiro, recurso contra a sentença proferida pela 15.ª Vara Cível do Fórum Central da Comarca de São Paulo, que condenou a empresa a indenizar Dolores Consuelo Zigler por danos associados ao consumo de cigarros. Caso a decisão seja mantida pela 15.ª Vara Cível, a empresa recorrerá ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP). A decisão é isolada e contraria o entendimento consolidado em diversos Tribunais de Justiça do País, inclusive no próprio TJSP e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que já se pronunciaram diversas vezes de forma contrária a este tipo de demanda.

Resposta da Diretora Geral do Médicos Sem Fronteiras ao “fogo amigo” americano

“Na madrugada de 3 de outubro (sábado), fomos confrontados com uma tragédia que trouxe um sofrimento absurdo; uma mistura de sentimentos de revolta e frustração e, ao mesmo tempo, de força de vontade para continuar lutando por aqueles que não têm mesmo ninguém a quem recorrer. Nosso hospital em Kunduz, no Afeganistão, foi fortemente bombardeado, o que causou a morte de 22 pessoas, sendo 12 delas nossos colegas e 10 pacientes em tratamento – três deles eram crianças.

Estávamos atuando no hospital de Kunduz desde 2011. Neste hospital, tínhamos mais de 80 profissionais trabalhando 24 horas para atender pacientes que vinham de várias partes do Afeganistão, uma vez que se tratava do único hospital de trauma no nordeste do país. Na madrugada de sábado, nossos colegas e pacientes foram surpreendidos com bombardeios dentro do hospital às 2h08, atingindo precisamente as alas de emergência, a unidade de cuidados intensivos e a ala de fisioterapia. As chamas levantaram-se bruscamente, e as equipes correram para salvar as vidas dos pacientes e as suas próprias. Tentaram desesperadamente auxiliar uns aos outros, mas não foi possível, em meio a tanto caos, evitar a morte.

Nosso espanto diante do ataque foi decorrente do fato de que todas as partes envolvidas neste conflito, tanto em Cabul quando em Washington, foram informadas repetidas vezes da localização do hospital. A comunicação mais recente tinha sido feita na terça-feira, 29/09, a fim de evitar qualquer eventualidade. Como você sabe, isso é prática de MSF: em zonas de conflito, estamos sempre em comunicação com as partes envolvidas e a localização de nossas instalações é rigorosamente comunicada. Não há, portanto, qualquer justificativa para termos sido alvo por engano; menos ainda há qualquer razão que explique o fato de nosso hospital ter sido submetido a pelo menos 30 minutos de bombardeios consecutivos. Tudo isso nos deixa extremamente estarrecidos.

O hospital ficou destruído, o pessoal de MSF teve que se retirar, os pacientes foram levados para outros locais a mais de duas horas de carro. Hoje, não há mais atendimento médico em Kunduz e milhares de pessoas estão sem qualquer assistência.

O que aconteceu é uma violação do direito internacional humanitário e Médicos Sem Fronteiras está, desde sábado, exigindo que seja conduzida uma investigação internacional independente para apurar o que aconteceu e não deixar que continue acontecendo. Cada vez mais instalações de saúde, profissionais de saúde e pacientes são desrespeitados por partes beligerantes e não existem justificativas possíveis para essa questão. Não admitimos que continuem matando nossos profissionais nem nossos pacientes.

São tempos difíceis, mas também tempos em que temos recebido uma extraordinária solidariedade de pessoas que nos acompanham, de doadores, de profissionais humanitários de outras organizações, entre outros.

Recentemente, perguntavam-me numa entrevista qual era o meu sentimento. Respondi que, apesar da tristeza profunda e frustração, também me sentia impelida a continuar ainda com mais força, porque, tal como você, temos muitos outros milhões de doadores especiais em todo o mundo que nos têm apoiado. Portanto, hoje quero apenas lhe agradecer, em particular, por isso.”

Susana de Deus
Diretora-geral
Médicos Sem Fronteiras Brasil

Campanha da FIESP contra o aumento de impostos pelo Governo Federal

Acesse o link original e assine o manifesto (é online!)

#naovoupagaropato

Toda vez que precisa cobrir seus gastos, em vez de cortar despesas o governo acha mais fácil passar a conta adiante. Das duas uma: você fica reclamando, pensando “a vida é assim mesmo”, ou faz alguma coisa. Se escolheu a segunda opção, leia o texto na íntegra e assine o manifesto.

Leia o manifesto completo e veja quem já assinou

Segurança do uso de Antidepressivos na Gravidez

(publicado originalmente em gustavo.amadera.com.br)

Publicado estudo no BMJ (Reefhuis J. Specific SSRISs and birth defects: bayesian analysis to interpret new data in the context of previous reports. BMJ 2015;351:h3190), que estudou  uma amostra de cerca de 28.000 mulheres que tomaram antidepressivos da classe dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina  no início da gestação – 17.952 tiveram filhos com defeitos congênitos enquanto 9.857 tiveram filhos saudáveis.
Sabe-se que o primeiro trimestre da gestação é um período crítico no desenvolvimento fetal, então obviamente o melhor período para se discutir a segurança da prescrição de qualquer medicação é antes da gestação iniciar – contudo muitas vezes a gestação não é planejada (quando deve-se avaliar relação de risco-benefício de se manter, substituir ou suspender a medicação)  ou o transtorno psíquico surge durante o curso de uma gestação (quando deve-se avaliar risco-benefício de se introduzir ou não uma medicação, e qual medicação introduzir).
Passaram no teste o citalopram, escitalopram e sertralina, que não mostraram relação com aumento de casos de defeitos congênitos.
De especial importância foi o estudo ter descartado achados anteriores que sugeriam relação positiva com a sertralina pois considerando-se que cerca de 40% da amostra havia feito uso de sertralina, qualquer relação necessariamente teria sido percebida.
Já a fluoxetina e a paroxetina associaram-se a aumento da ordem de 2-3,5x. Conforme já evidenciado em pesquisas anteriores a fluoxetina mostrou associação com aumento de casos de craniossinostose e defeitos de paredes cardíacas enquanto a paroxetina associou-se com mal-formações cardíacas, anencefalia e defeitos de parede abdominal.
(Importante destacar que trata-se de um risco absoluto bastante baixo – p.ex. confirmando-se a relação causal, o risco absoluto de anencefalia aumentaria de 2 para 7/10.000 em mulheres usando paroxetina)

Revolução no Tratamento da Depressão (em ratos :-)

(publicado em http://gustavo.amadera.com.br)

Você se lembra do furor causado pela publicação da primeira  pesquisa com quetamina em depressivos crônicos refratários que prometia revolucionar o tratamento da depressão com melhoras também extremamente rápidas (e que, apesar da amostra pequena, avaliava a resposta em humanos)?

Mas ainda que a promessa de uma cura milagrosa não seja possível com este (ou com qualquer outro) fármaco, devemos aplaudir as tentativas de ampliar nosso arsenal terapêutico disponível.

Por Karen Carneti –  Publicação original portal Info

Foto por: iStock

Novo medicamento pode revolucionar o tratamento da depressão

A depressão é uma doença psiquiátrica muito complexa, que se caracteriza pela perda de prazer nas atividades diárias, apatia, alterações cognitivas e de apetite, entre outros. Por ser diferente da tristeza comum que a maioria das pessoas sente em algum momento da vida, ela ainda é um mistério para a medicina – já que pode acometer qualquer pessoa em qualquer período da vida. Para tentar ajudar no tratamento da patologia, que ainda não tem cura, cientistas acabam de descobrir um medicamento que pode melhorar os sintomas da depressão em apenas 24 horas.

A maioria das medicações usadas no tratamento da depressão atualmente ajuda a equilibrar o nível de serotonina no cérebro – neurotransmissor responsável pelo humor e que, normalmente, nessas pessoas, acaba sendo “mal distribuído” pelo cérebro. O maior problema é que esses remédios podem demorar até oito semanas para fazer efeito e os pacientes podem sofrer diversos efeitos colaterais até seus organismos se acostumarem com eles.

O novo medicamento tem como foco outro neurotransmissor, o ácido gama-aminobutírico (mais conhecido pela sigla em inglês GABA), responsável pela regulação da excitabilidade neuronal ao longo do sistema nervoso. Os testes feitos em ratos mostraram que a medicação foi capaz de melhorar os sintomas da depressão em apenas 24 horas.

“Temos provas de que estes compostos podem aliviar os sintomas devastadores da depressão em menos de um dia, e de uma forma que limita algumas das principais fraquezas das abordagens atuais”, disse Scott Thompson, presidente do Departamento de Fisiologia da Escola de Medicina da Universidade de Maryland e principal autor do estudo.

Os testes com ratos mostraram que os compostos aumentaram rapidamente a força de comunicação excitatória em regiões que estavam enfraquecidas pelo estresse e que se acredita serem enfraquecidas pela depressão humana. Já em ratos que não estavam estressados, a medicação não mostrou efeito algum. Com isso, os pesquisadores acreditam que ela não terá efeitos colaterais em humanos.

Segundo Thompson, o medicamento agora precisa mostrar sua eficácia em humanos para poder, um dia, chegar ao mercado. “Agora, será tremendamente empolgante descobrir se eles produzem efeitos semelhantes em pacientes deprimidos. Se estes compostos puderem rapidamente fornecer alívio dos sintomas da depressão humana, tais como pensamentos suicidas, eles têm capacidade para revolucionar a forma como os pacientes são tratados”, disse ele.

Fonte: Science Daily