Divórcio ligado a aumento do risco de acidente vascular cerebral (Medscape)

por Sue Hughes, equipe Medscape (10 de julho de 2017)

O divórcio parece conferir maior risco de acidente vascular cerebral (AVC) em comparação com outros estados civis (casado, solteiro não divorciado, ou viúvo), sugere novo estudo, com este efeito aparentemente mais pronunciado em homens.

O estudo, apresentado na recente 3rd European Stroke Organisation Conference (ESOC) 2017, mostrou que viver casado ou viver sozinho – solteiro ou viúvo – não alterou o risco de acidente vascular cerebral em grau clinicamente significativo, mas os índices de AVC foram mais elevados entre os homens divorciados.

“Já houve alguns estudos mostrando que o casamento está associado a menor risco de acidente vascular cerebral e outros eventos clínicos, mas as diferenças de distintas situações conjugais – celibato, viuvez ou divórcio – não foram respondidas”, comentou ao Medscape o coautor do estudo, Dr. Tom Skyhøj Olsen, médico do Bispebjerg University Hospital, em Copenhague (Dinamarca).

“Nossos dados parecem sugerir que não importa se você é casado ou solteiro – o que parece modificar o risco de AVC é a mudança das condições de vida associadas ao divórcio. E isso parece atingir mais os homens do que as mulheres”.

Dr. Olsen sugeriu que seus resultados podem ser explicados como o divórcio exercendo efeitos adversos no estilo de vida. “O divórcio costuma estar associado a uma avalanche de problemas – moradia, estresse econômico e emocional – e isso pode ser acompanhado de aumento do consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas”.

“As pessoas casadas geralmente têm um estilo de vida mais saudável do que as pessoas não casadas”, acrescentou o pesquisador. “Muitos estudos demonstraram isso. As pessoas casadas geralmente têm menores índices de tabagismo e de consumo de bebidas alcoólicas”.

Sobre a diferença observada entre os homens e as mulheres, o Dr. Olsen disse: “Nossos resultados podem sinalizar uma diferença de gênero na capacidade de se adaptar às mudanças que o divórcio traz. As mulheres podem lidar melhor com isso do que os homens”.

Para este estudo, os pesquisadores analisaram os dados do sistema de registro civil dinamarquês sobre idade, sexo, estado civil (casado, solteiro, divorciado ou viúvo), nível de escolaridade e renda disponível, além de dados do Danish Stroke Register(registro dinamarquês de AVC), que contém informações sobre todos os pacientes que deram entrada em algum hospital com diagnóstico de acidente vascular cerebral agudo na Dinamarca.

Os pesquisadores investigaram o estado civil de todos os pacientes com mais de 40 anos de idade internados em um hospital de 2003 a 2012 em comparação à população geral na Dinamarca. Os riscos relativos de acidente vascular encefálico em relação ao estado civil foram estimados com ajuste para idade, sexo, ano de ocorrência, renda familiar e nível de escolaridade.

O estudo incluiu 58.807 pacientes com história de AVC, dos quais 52% eram casados, 9% eram solteiros, 13% eram divorciados e 26% eram viúvos.

Os resultados mostraram que após o ajuste por idade, sexo, ano de ocorrência, renda e escolaridade, quando comparados às pessoas casadas, os solteiros não divorciados e os viúvos não apresentavam aumento do risco de AVC, mas os divorciados exibiam aumento significativo do risco de acidente vascular cerebral. Esse aumento do risco foi mais pronunciado entre os homens divorciados (hazard ratio, HR = 1,23) do que entre as mulheres divorciadas (HR = 1,11).

Tabela. Incidência de acidente vascular cerebral por estado civil entre homens e mulheres

Estado civil Risco relativo (intervalo de confiança de 95%)
Homens
Casados 1,00 (referência)
Solteiros 1,07 (1,03 a 1,11)
Divorciados 1,23 (1,19 a 1,27)
Viúvos 1,02 (0,98 a 1,06)
Mulheres
Casadas 1,00 (referência)
Solteiras 0,97 (0,97 a 1,03)
Divorciadas 1,11 (1,06 a 1,15)
Viúvas 1,00 (0,97 a 1,03)

O Dr. Olsen concluiu: “Nosso estudo parece refletir os benefícios de viver em harmonia – seja em parceria ou sozinho. Talvez não seja o fato de estar sozinho que aumente o risco, mas sim a desarmonia do divórcio. A maioria das pessoas que se divorciou vai dizer que esse período de suas vidas foi um período de desarmonia”.

“Precisamos pensar mais na nossa saúde em tempos de desarmonia, como o divórcio, mas isso é difícil, pois muitas vezes outras coisas a serem tratadas nesta época são aparentemente mais urgentes – a saúde pode não ser a prioridade”.

O estudo analisou somente o estado civil no ano anterior ao acidente vascular cerebral, de modo que os dados dele não abrangem o período de tempo durante o qual alguém esteve divorciado.

O estudo foi financiado pela Jascha Foundation, fundação de pesquisa privada na Dinamarca.

3rd European Stroke Organisation Conference (ESOC) 2017. Sessão SC16. Apresentado em maio de 2017.

Tabela. Incidência de acidente vascular cerebral por estado civil entre homens e mulheres

Estado civil Risco relativo (intervalo de confiança de 95%)
Homens
Casados 1,00 (referência)
Solteiros 1,07 (1,03 a 1,11)
Divorciados 1,23 (1,19 a 1,27)
Viúvos 1,02 (0,98 a 1,06)
Mulheres
Casadas 1,00 (referência)
Solteiras 0,97 (0,97 a 1,03)
Divorciadas 1,11 (1,06 a 1,15)
Viúvas 1,00 (0,97 a 1,03)

O Dr. Olsen concluiu: “Nosso estudo parece refletir os benefícios de viver em harmonia – seja em parceria ou sozinho. Talvez não seja o fato de estar sozinho que aumente o risco, mas sim a desarmonia do divórcio. A maioria das pessoas que se divorciou vai dizer que esse período de suas vidas foi um período de desarmonia”.

“Precisamos pensar mais na nossa saúde em tempos de desarmonia, como o divórcio, mas isso é difícil, pois muitas vezes outras coisas a serem tratadas nesta época são aparentemente mais urgentes – a saúde pode não ser a prioridade”.

O estudo analisou somente o estado civil no ano anterior ao acidente vascular cerebral, de modo que os dados dele não abrangem o período de tempo durante o qual alguém esteve divorciado.

O estudo foi financiado pela Jascha Foundation, fundação de pesquisa privada na Dinamarca.

3rd European Stroke Organisation Conference (ESOC) 2017. Sessão SC16. Apresentado em maio de 2017.

Publicado por

Dr. Gustavo Amadera

Médico Psiquiatra formado pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (CREMESP no. 117.682, RQE no. 26302), membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP – matrícula no. 8465), da American Academy of Psychiatry and the Law (AAPL - id no. 108247), da Society for Neuroscience (SFN – no. 210488011) e da Associação Paulista de Medicina (APM - Inscrição no. 80007838). Ex-Conselheiro do Conselho Municipal de Políticas sobre Álcool e outras Drogas (COMAD-Atibaia). Perito Psiquiatra credenciado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), Tribunal Regional Federal (TRF3/JFSP), Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP e TRT-15) e pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo (DRS-VII Campinas).