M.A. – Marijuana Anonymous (Grupo de Mútuo-Ajuda para Dependentes de Cannabis – EUA)

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Uma das grandes dificuldades do tratamento do dependente de cannabis em centros especializados é a dificuldade de identificação com deste com os demais pacientes, geralmente dependentes de cocaína/crack e alcoolistas.

A subcultura dos usuários de cannabis de fato é diferente, como regra sem agressividade ou necessidade de comportamentos antissociais para manutenção do uso (já que a droga é mais barata, e existe um limite para o grau de tolerância que pode ser desenvolvido).

Apesar dos prejuízos cognitivos importantes em termos de concentração e memória, e mesmo do afrouxamento de laços associativos no pensamento, é uma droga facilmente adquirida e compartilhada.

Com R$5 ou R$10 os usuários mais pesados conseguem manter ao menos um dia de uso compulsivo.

Por mais que exista uma relação mais frequente com desenvolvimento de sintomas psicóticos, não se determinou ainda uma relação de nexo causal, e dentre a população de usuários são relativamente poucos os casos de psicose.

E como o traço principal definidor das síndromes psicóticas é justamente o prejuízo no teste de realidade, torna-se difícil a conscientização dos prejuízos do uso nos pacientes.

Uma alternativa que ainda não chegou ao país é o grupo anônimo M.A. presente em todos os estados americanos, derivado dos Alcoólicos Anônimos (origem também dos Narcóticos Anônimos), e que destes segue os mesmos “12 Passos” e “12 Tradições” como caminho para recuperação e transformação pessoal.

Parte interessante do texto básico são as “12 Perguntas”, uma forma não técnica de definir adicção a cannabis. A resposta positiva a uma das perguntas indicaria a presença de problemas.

1) Fumar maconha deixou de ser divertido?

2) Você fica “louco” sozinho?

3) É difícil imaginar uma vida sem maconha?

4) Você percebe que suas amizades são determinadas pelo uso de maconha?

5) Você fuma maconha para evitar enfrentar seus problemas?

6) Você fuma maconha para lidar com seus sentimentos?

7) Seu uso de maconha o faz viver um mundo definido privativamente?

8) Você já falhou em manter promessas feitas no sentido de diminuir ou parar de fumar?

9) Seu uso de maconha causou problemas de concentração, atenção e memória?

10) Quando seu “estoque” está acabando você fica ansioso ou preocupado sobre como conseguir mais?

11) Você planeja sua vida em torno do seu uso de maconha?

12) Amigos ou parentes já reclamaram que seu uso de maconha prejudica sua relação com eles?

 

(Os 12 Passos e as 12 Tradições são adaptações livres dos mesmos textos do A.A.)

 

 

 

Publicado por

Dr. Gustavo Amadera

Médico Psiquiatra formado pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (CREMESP no. 117.682, RQE no. 26302), membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP – matrícula no. 8465), da American Academy of Psychiatry and the Law (AAPL – id no. 108247), da Society for Neuroscience (SFN – no. 210488011) e da Associação Paulista de Medicina (APM – Inscrição no. 80007838). Ex-Conselheiro do Conselho Municipal de Políticas sobre Álcool e outras Drogas (COMAD-Atibaia). Perito Psiquiatra credenciado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), Tribunal Regional Federal (TRF3/JFSP), Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP e TRT-15) e pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo (DRS-VII Campinas).