Artigo Galileu: Por que até uma pessoa pacífica pode viver um dia de fúria

Por que até uma pessoa pacífica pode viver um dia de fúria

http://flip.it/NrV8iB

Livro do neurocientista Robert Sapolsky mapeia os comportamentos humanos

 | 

MARÍLIA MARASCIULO
(FOTO: PIXABAY/OLICHEL)

Você nem chegou ao trabalho e já está irritado com o engarrafamento. Ao sentar-se à mesa, recebe uma pilha de tarefas que consumirá todo o expediente. Após finalmente deixar o escritório, entra no supermercado, seleciona alguns ingredientes para o jantar e se dirige à fila. Passam vários minutos e você não sai do lugar porque um cliente idoso conversa tranquilamente com o funcionário do caixa e demora a finalizar o pagamento das compras.

É nesse momento que você sente o coração acelerar, um calor subir à cabeça e o corpo se tensionar. Seus piores pensamentos de ódio e violência se dirigem ao pobre velhinho. Quando a raiva passa, você tenta entender como pensou em tantas coisas que vão contra tudo aquilo em que acredita. E, claro, se sente a pior pessoa do mundo.

Endocrinologistas afirmariam que o ataque de fúria teria acontecido porque você estava com excesso de testosterona no sangue. Já neurologistas explicariam que uma descarga de neurotransmissores no cérebro teria ativado um sistema de “luta e fuga”, que é acionado quando estamos sob estresse. Psicólogos e antropológos, por sua vez, diriam que isso teria ocorrido porque você foi criado em um ambiente que estimulava a violência.

Para o neurocientista norte–americano Robert Sapolsky, no entanto, todas essas razões ajudam a explicar os muitos tipos de comportamento que norteiam a humanidade. “Não faz o menor sentido distinguir os diferentes aspectos de um comportamento que são biológicos daqueles que são psicológicos ou culturais. Todos estão profundamente interligados”, escreve o pesquisador em seu livro Behave: The Biology of Humans at Our Best and Worst (Comporte-se: a Biologia dos Humanos em Nosso Melhor e Pior, em tradução livre), que foi lançado recentemente nos Estados Unidos e ainda não tem previsão de publicação no Brasil.

Apesar de parecer óbvio que os comportamentos humanos são interpretados com base em diferentes áreas do conhecimento, nem sempre os cientistas levaram em conta essas particularidades. O behaviorismo, por exemplo, afirmava que todo comportamento é maleável e pode ser moldado com o treinamento certo. No entanto, essa lógica, que dominou a psicologia norte-americana durante parte do século 20, desconsidera que nem todos nascem com os mesmos potenciais, independentemente da forma como são treinados.

Outro caso emblemático é o do neurologista português Egas Moniz, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina em 1949 por seus estudos relacionados à leucotomia, técnica que mais tarde foi chamada de lobotomia. “A vida psicológica normal depende do bom funcionamento das sinapses do cérebro, e os distúrbios mentais decorrem de desarranjos sinápticos”, escreveu ele. Um reducionismo que levou a procedimentos médicos responsáveis pela destruição de parte do cérebro de milhares de pessoas.

 Relação cerebral

Mas, afinal, de onde veio aquele ímpeto de agressividade na fila do supermercado? Antes de tudo, é necessário entender como funcionam os estímulos que fazem você deixar a racionalidade de lado durante explosões de raiva. “Em relação às teorias de funcionamento do cérebro, por muito tempo considerou-se que era correto separar as áreas por funções específicas”, afirma o neurologista Daniel de Souza e Silva, especialista em neurofisiologia clínica. “Mas quando a tecnologia evoluiu, começamos a questionar esse entendimento.”

Um modelo conhecido como “cérebro trino”, elaborado nos anos 1970 pelo neurocientista Paul MacLean, é utilizado por Sapolsky como base para a explicação de nossos comportamentos. MacLean entende o cérebro como três domínios funcionais principais: uma primeira camada evolutiva, mais antiga, responsável por regular funções automáticas; uma segunda, mais recente, relacionada às emoções; e a terceira, ainda mais nova, responsável por cognição, memória e processamento de abstrações.

Entre as duas primeiras camadas existe uma estrutura importante para explicar nossos comportamentos: o hipotálamo, essencial para nossa sobrevivência por coordenar as reações do nosso corpo a ameaças em potencial. Já a amígdala, aliada do hipotálamo, é responsável por identificar o perigo e nos colocar em alerta, prontos para lutar ou fugir de ameaças. Em seu livro, Sapolsky cita diferentes estudos e exemplos que mostram como estímulos que ativam a amígdala provocam raiva e agressividade.

Um caso interessante é o de Charles Whitman, que, em 1966, matou a esposa, a mãe e, em seguida, abriu fogo na Universidade do Texas. Antes de cometer suicídio, ele assassinou 16 pessoas e deixou 32 feridos. De acordo com os relatos da época, Whitman era um homem feliz em seu casamento e um engenheiro com QI acima da média. Nos anos anteriores, porém, havia visitado médicos reclamando de impulsos violentos. Em sua carta de suicídio, pediu uma autópsia para que fosse investigado algum problema em seu cérebro. E, de fato, um tumor pressionava sua amígdala.

Teria sido essa a causa de tamanha violência? Dificilmente, diz Sapolsky. Afinal, Whitman sofreu abusos quando criança, abusou de sua esposa, foi à Corte Marcial por ameaçar um soldado quando servia na Marinha e teve o irmão assassinado em uma briga de bar.
De acordo com Sônia Maluf, professora de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina, não se pode analisar uma pessoa individualmente, desconsiderando seu contexto social. “Nós não damos respostas porque somos geneticamente propensos ou porque um neurônio mandou, e sim porque nossas informações culturais nos orientam a dar tais respostas”, afirma a especialista da UFSC.

Quando o assunto é gênero, as construções sociais e culturais ficam ainda mais claras. Na visão de Maluf, o fato de uma criança ser menina ou menino não a torna mais propensa a gostar de rosa, jogar futebol ou brincar com bonecas. É a influência da cultura e da sociedade na qual a criança está inserida, na realidade, que molda a forma como ela se comportará.

Gatilho automático
Na opinião do neurologista Daniel de Souza e Silva, “cada indivíduo aprende e se relaciona com o meio ambiente de forma completamente química. O cérebro testa, aprende e vai moldando os melhores comportamentos”. Esse é um modo de otimizar nosso tempo e automatizar processos rotineiros, de acordo com a psicóloga Lisiane Araújo, coordenadora do Laboratório de Psicologia Experimental, Neurociências e Comportamento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Afinal, se você tivesse de pensar para manter os olhos abertos sempre que quisesse ler, sobraria pouca energia para se concentrar em compreender o que o texto diz, por exemplo.

O psicólogo Daniel Kahneman, vencedor do Nobel de Economia em 2002 por seus estudos em finanças comportamentais, estabeleceu e sintetizou as maneiras pelas quais nos comportamos diante da necessidade de tomar decisões. Em Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar (Objetiva), Kahneman caracteriza dois sistemas diferentes de escolhas. O primeiro opera de modo automático e rápido, com pouco esforço. É nossa capacidade de fazer cara de aversão ao ver uma imagem horripilante ou ler palavras “sem querer” quando passamos em frente a um outdoor.

As atividades do outro sistema, por sua vez, exigem atenção e são interrompidas com maior facilidade: isso acontece, por exemplo, quando temos de realizar cálculos complexos ou fixar a atenção para buscar um objeto em meio à multidão.

É por isso que, depois de ter um comportamento considerado irracional — como bater em alguém —, você sente uma sensação de não saber o que estava raciocinando naquele momento. De fato, você estava pensando com o sistema “automático”. “Nessas horas, a razão o abandona e você pega o caminho mais rápido”, explica Lisiane Araújo.

Dá para mudar?
Substâncias químicas responsáveis por regular diferentes funções do organismo, os hormônios podem ser culpados por alguns tipos de comportamento em situações específicas. Os hormônios produzidos pela glândula tireoide, por exemplo, costumam apresentar efeitos negativos quando estão desregulados. Relacionados ao controle metabólico do organismo, esses hormônios provocam agitação, insônia, taquicardia e irritabilidade quando estão em excesso.

Em falta, causam a “lentidão” do organismo — o intestino fica preguiçoso, o cabelo cai, a pessoa sente sonolência e falta de concentração.
Mas, além de serem facilmente identificados, comportamentos alterados por disfunções hormonais são os mais simples de serem corrigidos e equilibrados. Nos outros casos, a análise e o tratamento demandam esforços maiores, mas eles também podem ser resolvidos.

“Estamos constantemente criando novas conexões neuronais e ativando outras partes do cérebro”, afirma Daniel de Souza e Silva. O cérebro tem uma plasticidade neural impressionante: mesmo em partes danificadas ou lesionadas é possível recriar conexões ou substituí-las. Um exemplo dado por Robert Sapolsky é o caso de alguns deficientes visuais que, ao lerem textos em braile, ativam regiões do cérebro relacionadas à visão, e não ao tato como seria esperado.

“Também é importante ter humildade de reconhecer quando não conseguimos fazer tudo sozinhos e precisamos de um estímulo externo, por isso o acompanhamento psicoterápico é eficaz nesse sentido”, ressalta a professora Lisiane Araújo. Segundo os especialistas, ficar atento aos truques ou atalhos mentais para cumprir tarefas automáticas também é uma boa maneira de tomar decisões mais conscientes.

A influência da sociedade sobre nossos comportamentos talvez seja a mais difícil de ser modificada — em geral, isso envolve conflitos mais complexos e que não se restringem a decisões pessoais. De acordo com Sônia Maluf, entretanto, “o conflito é o que move a sociedade a rever conceitos”.

Exemplos históricos não faltam: graças à insatisfação de algumas mulheres no fim do século 19, surgiu o movimento das suffragettes, que garantiram o direito ao voto às mulheres inglesas e, posteriormente, às norte-americanas. No movimento dos direitos civis nos Estados Unidos, a resistência de Rosa Parks, que se sentou em um local proibido aos negros em um ônibus, foi emblemática para o início dos protestos em todo o país. “O comportamento individual sempre tem efeito no social, que é feito de muitas vozes e muitas contradições”, destaca Maluf.

Por mais desafiador que seja, compreender a complexidade e os fatores que influenciam nossos comportamentos é o primeiro passo para mudarmos, das particularidades químicas e biológicas do nosso organismo às influências culturais e sociais. “Nós não temos outra escolha a não ser tentar”, diz Sapolsky em Behave. E continua: “E, se você está lendo isso, provavelmente está preparado para tentar. Em outras palavras, você é um dos humanos sortudos. E você não precisa escolher entre acreditar em ciência e ter compaixão. Então, tente.” O senhor da fila do supermercado agradece

Artigo BBC Brasil: Como poucas noites mal dormidas já afetam nosso metabolismo e saúde mental

http://flip.it/8VkepG

Como poucas noites mal dormidas já afetam nosso metabolismo e saúde mental

 Com a chegada do horário de verão, vem sempre a polêmica. Enquanto alguns celebram os dias mais longos, há quem reclame da “hora a menos” de sono ao adiantar os ponteiros do relógio.

Um estudo da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, já mostrou que os brasileiros estão entre os que menos dormem no mundo. A média é de 7h36 por noite. O que, para muitas pessoas, não é suficiente.

Muitas pesquisas sugerem que reduzir o sono, deliberadamente ou de outra forma, pode ter um impacto sério no organismo.

Algumas noites mal dormidas podem afetar o controle de açúcar no sangue e fazer com que a gente coma demais. Chegam até a bagunçar nosso DNA.

Há alguns anos, o programa da BBC Trust Me I’m a Doctor (“Confie em mim, eu sou médico”, em tradução livre para o português) realizou um experimento em parceria com a Universidade de Surrey, na Inglaterra. Eles pediram a voluntários que reduzissem suas noites de sono em uma hora durante uma semana.

Simon Archer, que ajudou a executar o experimento, descobriu que o fato de ter uma hora a menos de sono por noite afetou a atividade de diversos genes dos participantes (cerca de 500 no total), incluindo alguns associados à inflamação e ao diabetes.

Noites mal dormidas

Ou seja, não há dúvidas sobre os efeitos negativos da falta de sono no organismo. Mas que efeitos as noites mal dormidas podem ter na saúde mental?

Para descobrir, a equipe do programa Trust Me I’m a Doctor se juntou a cientistas do sono da Universidade de Oxford para conduzir um experimento de pequeno porte.

Desta vez, foram recrutados quatro voluntários que têm o hábito de dormir profundamente. Eles foram conectados a dispositivos que monitoram o sono com precisão. Nas três primeiras noites, dormiram oito horas seguidas, sem interrupção.

Já nas três noites seguintes, o sono dos participantes foi limitado a apenas quatro horas.

Image copyrightGETTY IMAGESMulher acorda após uma boa noite de sono

Image captionUma hora extra de sono por noite pode valer mais do que US$ 60 mil a mais na conta por ano, diz pesquisador

Diariamente, os voluntários preenchiam um questionário psicológico, desenvolvido para identificar qualquer mudança emocional ou de humor. Eles também gravavam vídeos diários.

E qual foi o resultado?

Sarah Reeve, estudante de doutorado que conduziu o experimento, ficou surpresa com a rapidez com que o humor dos participantes mudou.

“Houve um aumento na ansiedade, na depressão e no estresse. Também aumentou a paranoia e o sentimento de desconfiança em relação a outras pessoas”, revela.

“Dado que isso aconteceu após apenas três noites de privação de sono, é muito impressionante”, completa.

Três dos quatro voluntários consideraram a experiência desagradável. Mas um dos participantes disse não ter sido afetado.

“Essa semana provavelmente não me afetou tanto quanto pensei “, afirmou Josh. “Me sinto perfeitamente bem – nem feliz, nem triste, estressado ou qualquer coisa.”

Os testes realizados mostraram, no entanto, um quadro bem diferente.

As emoções positivas de Josh diminuíram bruscamente após duas noites de sono interrompido, enquanto as emoções negativas começaram a aumentar.

Desta forma, embora ele se sentisse bem, havia sinais de que ele estava começando a ser afetado mentalmente.

‘Preso’ em pensamentos negativos

O resultado do teste confirma a descoberta de um estudo muito maior, que analisou o impacto da privação do sono na saúde mental de estudantes.

Pesquisadores recrutaram mais de 3,7 mil alunos de universidades do Reino Unido que já tinham relatado dificuldades para dormir.

Eles foram divididos aleatoriamente em dois grupos. O primeiro participou de seis sessões online de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) destinadas a melhorar o sono. Já o outro recebeu apenas conselhos padrão.

Dez semanas após o experimento, os estudantes que foram submetidos à terapia apresentaram uma redução de 50% nas taxas de insônia, acompanhada de melhorias significativas na pontuação para depressão e ansiedade, além de diminuição da paranoia e alucinações.

A pesquisa, considerada o maior estudo randomizado controlado de tratamento psicológico para a saúde mental, sugere fortemente que a insônia pode causar problemas de saúde mental, em vez de ser simplesmente uma consequência.

Daniel Freeman, professor de psicologia clínica na Universidade de Oxford, que liderou o estudo, acredita que uma das razões pelas quais a privação do sono é tão prejudicial para nossos cérebros é porque ela incentiva o pensamento negativo repetitivo.

“Temos mais pensamentos negativos quando somos privados de sono e ficamos presos neles”, explica.

Ele não acredita, no entanto, que algumas noites mal dormidas signifiquem que a pessoa vai ter uma doença mental. Mas, segundo ele, o risco de fato aumenta.

“A cada noite, uma em cada três pessoas está tendo dificuldade para dormir. Talvez 5% a 10% da população geral tenha insônia. Muita gente lida com isso e segue com suas vidas. Mas isso aumenta o risco de uma série de dificuldades relacionadas à saúde mental.”

Mas há também o lado positivo. A pesquisa mostra que ter uma boa noite de sono pode ajudar a melhorar a sensação de bem-estar.

Norbert Schwarz, professor de psicologia da Universidade do Sul da Califórnia, faz uma metáfora.

“Ganhar US$ 60 mil (R$ 196 mil) a mais por ano tem menos efeito na sua felicidade diária do que uma hora a mais de sono por noite”, afirma.

Sendo assim, tenha uma boa noite.

Divórcio ligado a aumento do risco de acidente vascular cerebral (Medscape)

por Sue Hughes, equipe Medscape (10 de julho de 2017)

O divórcio parece conferir maior risco de acidente vascular cerebral (AVC) em comparação com outros estados civis (casado, solteiro não divorciado, ou viúvo), sugere novo estudo, com este efeito aparentemente mais pronunciado em homens.

O estudo, apresentado na recente 3rd European Stroke Organisation Conference (ESOC) 2017, mostrou que viver casado ou viver sozinho – solteiro ou viúvo – não alterou o risco de acidente vascular cerebral em grau clinicamente significativo, mas os índices de AVC foram mais elevados entre os homens divorciados.

“Já houve alguns estudos mostrando que o casamento está associado a menor risco de acidente vascular cerebral e outros eventos clínicos, mas as diferenças de distintas situações conjugais – celibato, viuvez ou divórcio – não foram respondidas”, comentou ao Medscape o coautor do estudo, Dr. Tom Skyhøj Olsen, médico do Bispebjerg University Hospital, em Copenhague (Dinamarca).

“Nossos dados parecem sugerir que não importa se você é casado ou solteiro – o que parece modificar o risco de AVC é a mudança das condições de vida associadas ao divórcio. E isso parece atingir mais os homens do que as mulheres”.

Dr. Olsen sugeriu que seus resultados podem ser explicados como o divórcio exercendo efeitos adversos no estilo de vida. “O divórcio costuma estar associado a uma avalanche de problemas – moradia, estresse econômico e emocional – e isso pode ser acompanhado de aumento do consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas”.

“As pessoas casadas geralmente têm um estilo de vida mais saudável do que as pessoas não casadas”, acrescentou o pesquisador. “Muitos estudos demonstraram isso. As pessoas casadas geralmente têm menores índices de tabagismo e de consumo de bebidas alcoólicas”.

Sobre a diferença observada entre os homens e as mulheres, o Dr. Olsen disse: “Nossos resultados podem sinalizar uma diferença de gênero na capacidade de se adaptar às mudanças que o divórcio traz. As mulheres podem lidar melhor com isso do que os homens”.

Para este estudo, os pesquisadores analisaram os dados do sistema de registro civil dinamarquês sobre idade, sexo, estado civil (casado, solteiro, divorciado ou viúvo), nível de escolaridade e renda disponível, além de dados do Danish Stroke Register(registro dinamarquês de AVC), que contém informações sobre todos os pacientes que deram entrada em algum hospital com diagnóstico de acidente vascular cerebral agudo na Dinamarca.

Os pesquisadores investigaram o estado civil de todos os pacientes com mais de 40 anos de idade internados em um hospital de 2003 a 2012 em comparação à população geral na Dinamarca. Os riscos relativos de acidente vascular encefálico em relação ao estado civil foram estimados com ajuste para idade, sexo, ano de ocorrência, renda familiar e nível de escolaridade.

O estudo incluiu 58.807 pacientes com história de AVC, dos quais 52% eram casados, 9% eram solteiros, 13% eram divorciados e 26% eram viúvos.

Os resultados mostraram que após o ajuste por idade, sexo, ano de ocorrência, renda e escolaridade, quando comparados às pessoas casadas, os solteiros não divorciados e os viúvos não apresentavam aumento do risco de AVC, mas os divorciados exibiam aumento significativo do risco de acidente vascular cerebral. Esse aumento do risco foi mais pronunciado entre os homens divorciados (hazard ratio, HR = 1,23) do que entre as mulheres divorciadas (HR = 1,11).

Tabela. Incidência de acidente vascular cerebral por estado civil entre homens e mulheres

Estado civil Risco relativo (intervalo de confiança de 95%)
Homens
Casados 1,00 (referência)
Solteiros 1,07 (1,03 a 1,11)
Divorciados 1,23 (1,19 a 1,27)
Viúvos 1,02 (0,98 a 1,06)
Mulheres
Casadas 1,00 (referência)
Solteiras 0,97 (0,97 a 1,03)
Divorciadas 1,11 (1,06 a 1,15)
Viúvas 1,00 (0,97 a 1,03)

O Dr. Olsen concluiu: “Nosso estudo parece refletir os benefícios de viver em harmonia – seja em parceria ou sozinho. Talvez não seja o fato de estar sozinho que aumente o risco, mas sim a desarmonia do divórcio. A maioria das pessoas que se divorciou vai dizer que esse período de suas vidas foi um período de desarmonia”.

“Precisamos pensar mais na nossa saúde em tempos de desarmonia, como o divórcio, mas isso é difícil, pois muitas vezes outras coisas a serem tratadas nesta época são aparentemente mais urgentes – a saúde pode não ser a prioridade”.

O estudo analisou somente o estado civil no ano anterior ao acidente vascular cerebral, de modo que os dados dele não abrangem o período de tempo durante o qual alguém esteve divorciado.

O estudo foi financiado pela Jascha Foundation, fundação de pesquisa privada na Dinamarca.

3rd European Stroke Organisation Conference (ESOC) 2017. Sessão SC16. Apresentado em maio de 2017.

Tabela. Incidência de acidente vascular cerebral por estado civil entre homens e mulheres

Estado civil Risco relativo (intervalo de confiança de 95%)
Homens
Casados 1,00 (referência)
Solteiros 1,07 (1,03 a 1,11)
Divorciados 1,23 (1,19 a 1,27)
Viúvos 1,02 (0,98 a 1,06)
Mulheres
Casadas 1,00 (referência)
Solteiras 0,97 (0,97 a 1,03)
Divorciadas 1,11 (1,06 a 1,15)
Viúvas 1,00 (0,97 a 1,03)

O Dr. Olsen concluiu: “Nosso estudo parece refletir os benefícios de viver em harmonia – seja em parceria ou sozinho. Talvez não seja o fato de estar sozinho que aumente o risco, mas sim a desarmonia do divórcio. A maioria das pessoas que se divorciou vai dizer que esse período de suas vidas foi um período de desarmonia”.

“Precisamos pensar mais na nossa saúde em tempos de desarmonia, como o divórcio, mas isso é difícil, pois muitas vezes outras coisas a serem tratadas nesta época são aparentemente mais urgentes – a saúde pode não ser a prioridade”.

O estudo analisou somente o estado civil no ano anterior ao acidente vascular cerebral, de modo que os dados dele não abrangem o período de tempo durante o qual alguém esteve divorciado.

O estudo foi financiado pela Jascha Foundation, fundação de pesquisa privada na Dinamarca.

3rd European Stroke Organisation Conference (ESOC) 2017. Sessão SC16. Apresentado em maio de 2017.

Antibióticos como tratamento adjunto nas Síndromes Depressivas?

Conventional antidepressant treatments result in symptom remission in 30% of those treated for major depressive disorder, raising the need for effective adjunctive therapies. Inflammation has an established role in the pathophysiology of major depressive disorder, and minocycline has been shown to modify the immune-inflammatory processes and also reduce oxidative stress and promote neuronal growth. This double-blind, randomised, placebo-controlled trial examined adjunctive minocycline (200 mg/day, in addition to treatment as usual) for major depressive disorder. This double-blind, randomised, placebo-controlled trial investigated 200 mg/day adjunctive minocycline (in addition to treatment as usual) for major depressive disorder.

A total of 71 adults with major depressive disorder (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders–Fourth Edition) were randomised to this 12-week trial. Outcome measures included the Montgomery–Asberg Depression Rating Scale (primary outcome), Clinical Global Impression–Improvement and Clinical Global Impression–Severity, Hamilton Anxiety Rating Scale, Quality of Life Enjoyment and Satisfaction Questionnaire, Social and Occupational Functioning Scale and the Range of Impaired Functioning Tool. The study was registered on the Australian and New Zealand Clinical Trials Register: www.anzctr.org.au, #ACTRN12612000283875.

Based on mixed-methods repeated measures analysis of variance at week 12, there was no significant difference in Montgomery–Asberg Depression Rating Scale scores between groups. However, there were significant differences, favouring the minocycline group at week 12 for Clinical Global Impression–Improvement score – effect size (95% confidence interval) = −0.62 [−1.8, −0.3], p = 0.02; Quality of Life Enjoyment and Satisfaction Questionnaire score – effect size (confidence interval) = −0.12 [0.0, 0.2], p < 0.001; and Social and Occupational Functioning Scale and the Range of Impaired Functioning Tool score – 0.79 [−4.5, −1.4], p < 0.001. These effects remained at follow-up (week 16), and Patient Global Impression also became significant, effect size (confidence interval) = 0.57 [−1.7, −0.4], p = 0.017.

While the primary outcome was not significant, the improvements in other comprehensive clinical measures suggest that minocycline may be a useful adjunct to improve global experience, functioning and quality of life in people with major depressive disorder. Further studies are warranted to confirm the potential of this accessible agent to optimise treatment outcomes.

(publicado no Australian & New Zealand Journal of Psychiatry)

Arrependimentos no leito de morte (do livro ‘Antes de partir: uma vida transformada pelo convívio com pessoas diante da morte’) 

A lista faz parte do livro ‘Antes de partir: uma vida transformada pelo convívio com pessoas diante da morte’, da enfermeira australiana Brownie Ware. “Um deles é não ter demonstrado afeto. Passamos a vida construindo muros ao redor do coração da gente pra ninguém perceber o que a gente está sentindo”, diz Ana. “A outra coisa é (se arrepender) de ter trabalhado tanto. O último que é colocado é: ‘Eu devia ter me feito mais feliz’, que pra mim resume todos os outros”.


Os outros arrependimentos citados pela enfermeira australiana são ter vivido a vida que se desejava e ter estado mais perto dos amigos. 

1. Eu gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu queria, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse. “Esse foi o arrependimento mais comum. Quando as pessoas percebem que a vida delas está quase no fim e olham para trás, é fácil ver quantos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não realizou nem metade dos seus sonhos, e muita gente tem de morrer sabendo que isso aconteceu por causa de decisões que tomou, ou não tomou. A saúde traz uma liberdade que poucos conseguem perceber, até que eles não a têm mais.” 

2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto. “Eu ouvi isso de todos os pacientes homens com quem trabalhei. Eles sentiam falta de ter aproveitado mais a juventude dos filhos e a companhia de suas parceiras. As mulheres também falaram desse arrependimento, mas como a maioria era de uma geração mais antiga, muitas não tiveram uma carreira. Todos os homens com quem eu conversei se arrependeram de passar tanto tempo de suas vidas no ambiente de trabalho.” 

3. Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos. “Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos para ficar em paz com os outros. Como resultado, acomodaram-se em uma existência medíocre e nunca se tornaram quem realmente eram capazes de ser. Muitas desenvolveram doenças relacionadas à amargura e ao ressentimento que carregavam.” 

4. Eu gostaria de ter ficado em contato com os meus amigos. “Frequentemente, os pacientes não percebiam as vantagens de ter velhos amigos até chegarem em suas últimas semanas de vida, e nem sempre era possível rastrear essas pessoas. Muitos ficaram tão envolvidos em suas próprias vidas que deixaram amizades de ouro se perderem ao longo dos anos e tiveram muitos arrependimentos profundos por não ter dedicado tempo e esforço às amizades. Todo mundo sente falta dos amigos quando está morrendo.” 

5. Eu gostaria de ter me permitido ser mais feliz. “Esse é um arrependimento surpreendentemente comum. Muitos só percebem isso no fim da vida – que a felicidade é uma escolha. As pessoas ficam presas em antigos hábitos e padrões. O famoso ‘conforto’ das coisas familiares e o medo da mudança fizeram com que eles fingissem para os outros e para si mesmos que estavam contentes quando, no fundo, ansiavam por rir de verdade e aproveitar as coisas bobas em suas vidas de novo.”

Antibiótico inibindo formação de memória relacionada ao medo, possível avanço no tratamento precoce do TEPT/PTSD

Artigo publicado na revista Molecular Psychiatry demonstrou inibição de formação de memória relacionada ao medo com uso do antibiótico doxiciclina, indicando nova possibilidade terapêutica no Transtorno do Estresse Pós-Traumático.

A doxiciclina inibiria a ação enzimática extracelular da MMP (metaloproteinase), interferindo com a remodelagem sináptica necessária para o aprendizado de estímulos ameaçadores.

Siga o link para o artigo completo na revista Molecular Psychiatry.