Artes Marciais e Caráter

(publicado no portal kiai.med.br em out/2005)

Encontramos em todas as artes marciais tradicionais códigos de conduta, que no caso do Karate chamam-se “dojokun”, geralmente estão afixados em local de ampla visibilidade no dojo, e em muitas academias são repetidos por todos os estudantes no início e ao final do treino. Neste texto mostramos diversos códigos e preceitos clássicos do Karate-Do, com ênfase no nosso estilo Goju-ryu, e na sequência apresentamos e discutimos um interessante artigo publicado em 1984 na revista Human Relations – um estudo que avaliou o impacto do treinamento com artes marciais (TaeKwonDo) em jovens entre 13 e 17 anos considerados delinquentes juvenis.

(Referência: Trulson ME. Martial arts training: A novel “cure” for juvenile delinquency. Human Relations Vol39 No12 1131-1140 1986)

Existe uma crença compartilhada por instrutores e mestres das diversas artes marciais (e pela população em geral) que motiva muitos pais a levarem seus filhos para os dojos. Arte marcial traz confiança para as crianças que costumam “apanhar na escola”, ao mesmo tempo que traz controle para aquelas que costumam “bater nos outros”. Um ambiente protegido em que o respeito é colocado acima de tudo, em que sempre existe alguém mais forte que você, em que existe sempre um instrutor pronto a intervir quando necessário, fazendo cumprir as regras, advertindo quando a punição é necessária e reforçando as atitudes positivas – esses seriam alguns dos fatores que levariam à melhora do comportamento de crianças e adolescentes que tantos pais buscam. Nossa experiência pessoal ensinando Karate confirma essa idéia – a persistência no treinamento leva a uma mudança de atitude naturalmente. A grande dificuldade inclusive é mantê-los no Caminho, já que muitas vezes tentam abandonar precocemente as aulas – seja porque vieram contra suas vontades, seja porque não toleram um ambiente regrado.

Um estudo muito interessante conduzido por Michael E. Trulson, da Faculdade de Medicina da Universidade A & M do Texas, e publicado na revista Human Relations incluiu 34 adolescentes entre 13 e 17 anos que preenchiam critérios para delinquência juvenil na escala MMPI (Minnesota Multiphasic Personality Inventory).

Os jovens foram separados em três grupos: um deles recebendo treinamento em Taekwondo Tradicional (meditação, alongamento, aquecimento, discurso sobre a filosofia da arte marcial, formas, lutas, defesa pessoal e meditação novamente), outro em Taekwondo Esportivo (alongamento, aquecimento, lutas, defesa pessoal) e um terceiro grupo foi usado como controle – tinham os mesmos três encontros semanais, com o mesmo instrutor, mas realizavam somente alguma atividade física não relacionada à arte marcial. TODOS os jovens incluídos permaneceram no estudo durante os seis meses previstos – foram informados que seriam denunciados pelos seus atos de delinqüência caso abandonassem o treinamento antes deste prazo!

Todos os adolescentes foram avaliados pela NMPI – e pontuavam o suficiente para serem considerados delinqüentes juvenis. Além disso, foram submetidos a dois testes que mediam agressividade (Navaco 1975, Nosanchuck 1981) e responderam o JPI (Jackson Personality Inventory). De acordo com a idade e a pontuação nas escalas e testes aplicados, foram randomizados para os três grupos – 15 jovens receberam treinamento tradicional, 11 receberam treinamento esportivo enquanto 9 formaram o grupo controle.

Todas as testagens foram repetidas após seis meses, encontrando mudanças bastante positivas no grupo I, negativas no grupo II e ausência de mudanças significativas no grupo III. Os adolescentes do grupo TaeKwonDo Tradicional ao final de seis meses deixaram de ser considerados delinqüentes (MMPI), apresentaram níveis de agressividade abaixo da média e ainda mostraram surgimento (ou fortalecimento) de características positivas de personalidade (JPI). O grupo que recebeu o treinamento Esportivo por outro lado mostrou, em comparação com o início do estudo, tendência ainda maior para a delinqüência, aumento dos níveis de agressividade e no geral o oposto do observado com o grupo I com relação à personalidade (JPI). O grupo controle por sua vez não apresentou mudanças estatisticamente significativas em nenhuma das comparações.

Pode-se afirmar, a partir dos dados publicados, que não basta ocupar o tempo dos jovens, nem mesmo oferecer uma figura de autoridade ou uma atividade física. O desenho do estudo permitiu afastar essas possibilidades, já que todos os grupos tiveram o mesmo uso de tempo para suas atividades específicas, todos os jovens tiveram contato com o mesmo instrutor (que não mudou seu “jeito de ser” para cada grupo!), e todos os grupos incluíram atividades físicas variadas.

Ao contrário da arte marcial esportiva, onde o objetivo é a vitória, a arte marcial tradicional valoriza o respeito, o crescimento e o treinamento diligente – muito mais importante é vencer seus próprios “demônios” que o resultado de um combate. Além disso, cada treino começava e terminava com uma breve sessão de meditação – que sabemos ser importante método de ampliação da autoconsciência, além de reduzir níveis de ansiedade e impulsividade.

Compartilhamos da preocupação do autor acerca da proliferação de escolas de artes marciais modernas – se é que esportes de competição podem ser classificados como artes marciais – que parecem possuir o potencial de piorar a conduta, a agressividade e mesmo despertar traços negativos da personalidade de crianças e adolescentes, especialmente aqueles com uma tendência à delinqüência.

Estadão – Justiça determina interdição de jovem que recusa hemodiálise para morrer em Goiânia

Salvo comprometimento real da capacidade de discernimento, não estando o indivíduo em risco iminente de morte, entendemos ser seu direito recusar qualquer tratamento, ainda que a consequência futura lhe seja desfavorável.

De acordo com as informações divulgadas pela imprensa, o indivíduo em questão passou por perícias psiquiátricas e psicológicas que não detectaram ser o mesmo portador de nenhum transtorno mental em fase de descompensação, e ainda assim teriam concluído pela curatela!

A família e a equipe de saúde tem o direito e dever te esclarecer sobre a necessidade do tratamento proposto bem como sobre os riscos da recusa. No caso específico em tela o tratamento recusado (hemodiálise) não tem potencial curativo – tendo o indivíduo sido considerado “lúcido” e até “inteligente”, até onde pode o Estado invadir nossas decisões pessoais? Sobretudo aquelas que afetam somente o próprio indivíduo? Trata-se de questão de liberdade individual básica – que mereceria legislação específica.

Juiz também recomendou que o rapaz passe por acompanhamento psicoterapêutico

por José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo 28 Novembro 2017 | 12h40

SOROCABA – O juiz Éder Jorge, da 2a. Vara Cível de Trindade (GO), determinou a interdição provisória do jovem goiano José Humberto Pires de Campos Filho, de 22 anos, doente renal crônico que se nega a fazer hemodiálise para esperar a morte.

Na decisão, divulgada nesta segunda-feira, 27, pelo Tribunal de Justiça de Goiás, o juiz nomeou a mãe do rapaz, Edina Maria Alves Borges, de 55 anos, sua curadora “para que adote as providências necessárias para o cumprimento das prescrições médicas e cuidados com a saúde”. Também recomendou que o rapaz passe por acompanhamento psicoterapêutico. A defesa dele vai entrar com recurso.

Para a mãe, a decisão da Justiça não muda a situação atual. “A saúde dele está piorando e eu não posso obrigá-lo a fazer o que não quer. Ele não pode ser forçado e eu também não tenho forças para isso”, disse.

Ela revelou que o filho se trata quando quer e a doença está avançando. “Ele já está com neuropatia aguda. A doença afetou os músculos e ele passou a usar cadeira de rodas. Não tenho permissão para fazer nada além do que já faço”, disse.

O juiz determinou a interdição pelo prazo de um ano, “unicamente no que se refere à sua autonomia para submeter-se a tratamento médico”, mas proibiu o uso de qualquer forma de coerção física, inclusive sedação.

No processo, o jovem apontou que é adulto lúcido, consciente do tratamento e de suas consequências, além de ser considerar inteligente, tendo sido aprovado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016, mesmo tendo passado anos no exterior. Ele defendeu que seu tratamento não apresenta chances reais de cura, sendo um processo árduo e penoso sem perspectivas.

O juiz levou em conta avaliações psicológicas e psiquiátricas, todas opinando que o estado do jovem o faz tomar decisões sem reflexão e com pouco investimento emocional, impedindo-o de captar e processar as situações na complexidade requerida.

Para o juiz, embora o desenvolvimento cognitivo e a consciência do paciente não estejam comprometidos, ele não conta com a isenção necessária para corroborar uma vontade efetivamente livre.

“A renúncia a tratamento doloroso e a aceitação da morte natural como consequência da doença seriam perfeitamente possíveis no nosso sistema constitucional, se não houvessem elementos psicológicos e psiquiátricos a afetarem a capacidade de entendimento e determinação de J.H. (José Humberto), já que a medicalização da vida pode transformar a morte em um processo longo e sofrido. Estar-se-ia diante da eutanásia”, afirmou.

No caso do jovem, de acordo com o juiz, conflitos internos e perda de perspectivas contribuíram para que ele negligenciasse os aspectos emocionais da existência humana, desgostando da vida e tornando seu processo de decisão parcialmente prejudicado.

“A propósito, por ocasião da audiência, tive a impressão de um rapaz muito inteligente e simpático. No entanto, até que seja devidamente fortalecido e livre das limitações abordadas nos laudos médicos, a nomeação de curador é necessária”, concluiu.

José Humberto não quis falar com a reportagem e interrompeu a entrevista que a mãe dava por telefone. ‘Não quero que fale de mim. Pare de falar com o repórter!’, determinou. Antes, Edina tinha revelado que está perdendo as esperanças. “Ele esmoreceu de vez e já disse que, assim que entrar janeiro, não vai mais para a clínica. Mesmo com essa decisão da Justiça, só vou ter direito de impor o tratamento se ele estiver em coma, mas aí talvez seja tarde. Só me resta continuar aqui, cuidando dele, como fiz a vida toda.”

RECURSO – O advogado George Alexander Neri de Carvalho, nomeado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para defender José Humberto, disse que vai entrar com recurso contra a interdição.

“A escolha dele tem de ser respeitada. Ele não quer tirar a própria vida, quer apenas evitar um tratamento incômodo e doloroso e viver do jeito dele. Hoje, ele

está se tratando, mas a contragosto.” Carvalho já falou com o rapaz e ele mantém sua decisão de não continuar com a hemodiálise, por entender que essa intervenção não alivia seu sofrimento, nem garante que vai viver.

Para o advogado, seu cliente tem direito a escolher se tratar ou não. “As pessoas falam que ele quer morrer, mas não é isso. Ele não provocou a doença, ela apareceu e ele não tem culpa disso. Meu cliente não segue o padrão social de lutar contra a morte, mesmo que isso cause sofrimento. Ele apenas quer seguir a vida do jeito dele.” Carvalho vai analisar a decisão do juiz para ver se cabe algum embargo ou se é caso de apelação ao Tribunal de Justiça. “Vamos entrar com o recurso que for cabível.”

A DOENÇA – José Humberto foi morar com o pai nos Estados Unidos quando tinha 15 anos e levava uma vida normal, estudando e praticando esportes. Em junho de 2015, sentiu os pés inchados e, levado ao hospital, foi diagnosticado com falência renal.

Ele passou a fazer hemodiálise e entrou na fila do transplante de rim, mas quando surgiu um doador, recusou a cirurgia e viajou para o Brasil, voltando a morar com a mãe, em Trindade.

Foi quando começou a recusar as sessões de hemodiálise e passou a dizer que preferia morrer, obrigando a mãe a recorrer a Justiça para obrigá-lo ao tratamento. Ela obteve uma liminar em fevereiro deste ano, no processo que, agora, teve o julgamento no mérito. O jovem também procurou um advogado para ter garantido o direito de decidir sobre a própria vida.

Artigo Galileu: Por que até uma pessoa pacífica pode viver um dia de fúria

Por que até uma pessoa pacífica pode viver um dia de fúria

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Livro do neurocientista Robert Sapolsky mapeia os comportamentos humanos

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MARÍLIA MARASCIULO
(FOTO: PIXABAY/OLICHEL)

Você nem chegou ao trabalho e já está irritado com o engarrafamento. Ao sentar-se à mesa, recebe uma pilha de tarefas que consumirá todo o expediente. Após finalmente deixar o escritório, entra no supermercado, seleciona alguns ingredientes para o jantar e se dirige à fila. Passam vários minutos e você não sai do lugar porque um cliente idoso conversa tranquilamente com o funcionário do caixa e demora a finalizar o pagamento das compras.

É nesse momento que você sente o coração acelerar, um calor subir à cabeça e o corpo se tensionar. Seus piores pensamentos de ódio e violência se dirigem ao pobre velhinho. Quando a raiva passa, você tenta entender como pensou em tantas coisas que vão contra tudo aquilo em que acredita. E, claro, se sente a pior pessoa do mundo.

Endocrinologistas afirmariam que o ataque de fúria teria acontecido porque você estava com excesso de testosterona no sangue. Já neurologistas explicariam que uma descarga de neurotransmissores no cérebro teria ativado um sistema de “luta e fuga”, que é acionado quando estamos sob estresse. Psicólogos e antropológos, por sua vez, diriam que isso teria ocorrido porque você foi criado em um ambiente que estimulava a violência.

Para o neurocientista norte–americano Robert Sapolsky, no entanto, todas essas razões ajudam a explicar os muitos tipos de comportamento que norteiam a humanidade. “Não faz o menor sentido distinguir os diferentes aspectos de um comportamento que são biológicos daqueles que são psicológicos ou culturais. Todos estão profundamente interligados”, escreve o pesquisador em seu livro Behave: The Biology of Humans at Our Best and Worst (Comporte-se: a Biologia dos Humanos em Nosso Melhor e Pior, em tradução livre), que foi lançado recentemente nos Estados Unidos e ainda não tem previsão de publicação no Brasil.

Apesar de parecer óbvio que os comportamentos humanos são interpretados com base em diferentes áreas do conhecimento, nem sempre os cientistas levaram em conta essas particularidades. O behaviorismo, por exemplo, afirmava que todo comportamento é maleável e pode ser moldado com o treinamento certo. No entanto, essa lógica, que dominou a psicologia norte-americana durante parte do século 20, desconsidera que nem todos nascem com os mesmos potenciais, independentemente da forma como são treinados.

Outro caso emblemático é o do neurologista português Egas Moniz, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina em 1949 por seus estudos relacionados à leucotomia, técnica que mais tarde foi chamada de lobotomia. “A vida psicológica normal depende do bom funcionamento das sinapses do cérebro, e os distúrbios mentais decorrem de desarranjos sinápticos”, escreveu ele. Um reducionismo que levou a procedimentos médicos responsáveis pela destruição de parte do cérebro de milhares de pessoas.

 Relação cerebral

Mas, afinal, de onde veio aquele ímpeto de agressividade na fila do supermercado? Antes de tudo, é necessário entender como funcionam os estímulos que fazem você deixar a racionalidade de lado durante explosões de raiva. “Em relação às teorias de funcionamento do cérebro, por muito tempo considerou-se que era correto separar as áreas por funções específicas”, afirma o neurologista Daniel de Souza e Silva, especialista em neurofisiologia clínica. “Mas quando a tecnologia evoluiu, começamos a questionar esse entendimento.”

Um modelo conhecido como “cérebro trino”, elaborado nos anos 1970 pelo neurocientista Paul MacLean, é utilizado por Sapolsky como base para a explicação de nossos comportamentos. MacLean entende o cérebro como três domínios funcionais principais: uma primeira camada evolutiva, mais antiga, responsável por regular funções automáticas; uma segunda, mais recente, relacionada às emoções; e a terceira, ainda mais nova, responsável por cognição, memória e processamento de abstrações.

Entre as duas primeiras camadas existe uma estrutura importante para explicar nossos comportamentos: o hipotálamo, essencial para nossa sobrevivência por coordenar as reações do nosso corpo a ameaças em potencial. Já a amígdala, aliada do hipotálamo, é responsável por identificar o perigo e nos colocar em alerta, prontos para lutar ou fugir de ameaças. Em seu livro, Sapolsky cita diferentes estudos e exemplos que mostram como estímulos que ativam a amígdala provocam raiva e agressividade.

Um caso interessante é o de Charles Whitman, que, em 1966, matou a esposa, a mãe e, em seguida, abriu fogo na Universidade do Texas. Antes de cometer suicídio, ele assassinou 16 pessoas e deixou 32 feridos. De acordo com os relatos da época, Whitman era um homem feliz em seu casamento e um engenheiro com QI acima da média. Nos anos anteriores, porém, havia visitado médicos reclamando de impulsos violentos. Em sua carta de suicídio, pediu uma autópsia para que fosse investigado algum problema em seu cérebro. E, de fato, um tumor pressionava sua amígdala.

Teria sido essa a causa de tamanha violência? Dificilmente, diz Sapolsky. Afinal, Whitman sofreu abusos quando criança, abusou de sua esposa, foi à Corte Marcial por ameaçar um soldado quando servia na Marinha e teve o irmão assassinado em uma briga de bar.
De acordo com Sônia Maluf, professora de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina, não se pode analisar uma pessoa individualmente, desconsiderando seu contexto social. “Nós não damos respostas porque somos geneticamente propensos ou porque um neurônio mandou, e sim porque nossas informações culturais nos orientam a dar tais respostas”, afirma a especialista da UFSC.

Quando o assunto é gênero, as construções sociais e culturais ficam ainda mais claras. Na visão de Maluf, o fato de uma criança ser menina ou menino não a torna mais propensa a gostar de rosa, jogar futebol ou brincar com bonecas. É a influência da cultura e da sociedade na qual a criança está inserida, na realidade, que molda a forma como ela se comportará.

Gatilho automático
Na opinião do neurologista Daniel de Souza e Silva, “cada indivíduo aprende e se relaciona com o meio ambiente de forma completamente química. O cérebro testa, aprende e vai moldando os melhores comportamentos”. Esse é um modo de otimizar nosso tempo e automatizar processos rotineiros, de acordo com a psicóloga Lisiane Araújo, coordenadora do Laboratório de Psicologia Experimental, Neurociências e Comportamento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Afinal, se você tivesse de pensar para manter os olhos abertos sempre que quisesse ler, sobraria pouca energia para se concentrar em compreender o que o texto diz, por exemplo.

O psicólogo Daniel Kahneman, vencedor do Nobel de Economia em 2002 por seus estudos em finanças comportamentais, estabeleceu e sintetizou as maneiras pelas quais nos comportamos diante da necessidade de tomar decisões. Em Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar (Objetiva), Kahneman caracteriza dois sistemas diferentes de escolhas. O primeiro opera de modo automático e rápido, com pouco esforço. É nossa capacidade de fazer cara de aversão ao ver uma imagem horripilante ou ler palavras “sem querer” quando passamos em frente a um outdoor.

As atividades do outro sistema, por sua vez, exigem atenção e são interrompidas com maior facilidade: isso acontece, por exemplo, quando temos de realizar cálculos complexos ou fixar a atenção para buscar um objeto em meio à multidão.

É por isso que, depois de ter um comportamento considerado irracional — como bater em alguém —, você sente uma sensação de não saber o que estava raciocinando naquele momento. De fato, você estava pensando com o sistema “automático”. “Nessas horas, a razão o abandona e você pega o caminho mais rápido”, explica Lisiane Araújo.

Dá para mudar?
Substâncias químicas responsáveis por regular diferentes funções do organismo, os hormônios podem ser culpados por alguns tipos de comportamento em situações específicas. Os hormônios produzidos pela glândula tireoide, por exemplo, costumam apresentar efeitos negativos quando estão desregulados. Relacionados ao controle metabólico do organismo, esses hormônios provocam agitação, insônia, taquicardia e irritabilidade quando estão em excesso.

Em falta, causam a “lentidão” do organismo — o intestino fica preguiçoso, o cabelo cai, a pessoa sente sonolência e falta de concentração.
Mas, além de serem facilmente identificados, comportamentos alterados por disfunções hormonais são os mais simples de serem corrigidos e equilibrados. Nos outros casos, a análise e o tratamento demandam esforços maiores, mas eles também podem ser resolvidos.

“Estamos constantemente criando novas conexões neuronais e ativando outras partes do cérebro”, afirma Daniel de Souza e Silva. O cérebro tem uma plasticidade neural impressionante: mesmo em partes danificadas ou lesionadas é possível recriar conexões ou substituí-las. Um exemplo dado por Robert Sapolsky é o caso de alguns deficientes visuais que, ao lerem textos em braile, ativam regiões do cérebro relacionadas à visão, e não ao tato como seria esperado.

“Também é importante ter humildade de reconhecer quando não conseguimos fazer tudo sozinhos e precisamos de um estímulo externo, por isso o acompanhamento psicoterápico é eficaz nesse sentido”, ressalta a professora Lisiane Araújo. Segundo os especialistas, ficar atento aos truques ou atalhos mentais para cumprir tarefas automáticas também é uma boa maneira de tomar decisões mais conscientes.

A influência da sociedade sobre nossos comportamentos talvez seja a mais difícil de ser modificada — em geral, isso envolve conflitos mais complexos e que não se restringem a decisões pessoais. De acordo com Sônia Maluf, entretanto, “o conflito é o que move a sociedade a rever conceitos”.

Exemplos históricos não faltam: graças à insatisfação de algumas mulheres no fim do século 19, surgiu o movimento das suffragettes, que garantiram o direito ao voto às mulheres inglesas e, posteriormente, às norte-americanas. No movimento dos direitos civis nos Estados Unidos, a resistência de Rosa Parks, que se sentou em um local proibido aos negros em um ônibus, foi emblemática para o início dos protestos em todo o país. “O comportamento individual sempre tem efeito no social, que é feito de muitas vozes e muitas contradições”, destaca Maluf.

Por mais desafiador que seja, compreender a complexidade e os fatores que influenciam nossos comportamentos é o primeiro passo para mudarmos, das particularidades químicas e biológicas do nosso organismo às influências culturais e sociais. “Nós não temos outra escolha a não ser tentar”, diz Sapolsky em Behave. E continua: “E, se você está lendo isso, provavelmente está preparado para tentar. Em outras palavras, você é um dos humanos sortudos. E você não precisa escolher entre acreditar em ciência e ter compaixão. Então, tente.” O senhor da fila do supermercado agradece

Artigo BBC Brasil: Como poucas noites mal dormidas já afetam nosso metabolismo e saúde mental

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Como poucas noites mal dormidas já afetam nosso metabolismo e saúde mental

 Com a chegada do horário de verão, vem sempre a polêmica. Enquanto alguns celebram os dias mais longos, há quem reclame da “hora a menos” de sono ao adiantar os ponteiros do relógio.

Um estudo da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, já mostrou que os brasileiros estão entre os que menos dormem no mundo. A média é de 7h36 por noite. O que, para muitas pessoas, não é suficiente.

Muitas pesquisas sugerem que reduzir o sono, deliberadamente ou de outra forma, pode ter um impacto sério no organismo.

Algumas noites mal dormidas podem afetar o controle de açúcar no sangue e fazer com que a gente coma demais. Chegam até a bagunçar nosso DNA.

Há alguns anos, o programa da BBC Trust Me I’m a Doctor (“Confie em mim, eu sou médico”, em tradução livre para o português) realizou um experimento em parceria com a Universidade de Surrey, na Inglaterra. Eles pediram a voluntários que reduzissem suas noites de sono em uma hora durante uma semana.

Simon Archer, que ajudou a executar o experimento, descobriu que o fato de ter uma hora a menos de sono por noite afetou a atividade de diversos genes dos participantes (cerca de 500 no total), incluindo alguns associados à inflamação e ao diabetes.

Noites mal dormidas

Ou seja, não há dúvidas sobre os efeitos negativos da falta de sono no organismo. Mas que efeitos as noites mal dormidas podem ter na saúde mental?

Para descobrir, a equipe do programa Trust Me I’m a Doctor se juntou a cientistas do sono da Universidade de Oxford para conduzir um experimento de pequeno porte.

Desta vez, foram recrutados quatro voluntários que têm o hábito de dormir profundamente. Eles foram conectados a dispositivos que monitoram o sono com precisão. Nas três primeiras noites, dormiram oito horas seguidas, sem interrupção.

Já nas três noites seguintes, o sono dos participantes foi limitado a apenas quatro horas.

Image copyrightGETTY IMAGESMulher acorda após uma boa noite de sono

Image captionUma hora extra de sono por noite pode valer mais do que US$ 60 mil a mais na conta por ano, diz pesquisador

Diariamente, os voluntários preenchiam um questionário psicológico, desenvolvido para identificar qualquer mudança emocional ou de humor. Eles também gravavam vídeos diários.

E qual foi o resultado?

Sarah Reeve, estudante de doutorado que conduziu o experimento, ficou surpresa com a rapidez com que o humor dos participantes mudou.

“Houve um aumento na ansiedade, na depressão e no estresse. Também aumentou a paranoia e o sentimento de desconfiança em relação a outras pessoas”, revela.

“Dado que isso aconteceu após apenas três noites de privação de sono, é muito impressionante”, completa.

Três dos quatro voluntários consideraram a experiência desagradável. Mas um dos participantes disse não ter sido afetado.

“Essa semana provavelmente não me afetou tanto quanto pensei “, afirmou Josh. “Me sinto perfeitamente bem – nem feliz, nem triste, estressado ou qualquer coisa.”

Os testes realizados mostraram, no entanto, um quadro bem diferente.

As emoções positivas de Josh diminuíram bruscamente após duas noites de sono interrompido, enquanto as emoções negativas começaram a aumentar.

Desta forma, embora ele se sentisse bem, havia sinais de que ele estava começando a ser afetado mentalmente.

‘Preso’ em pensamentos negativos

O resultado do teste confirma a descoberta de um estudo muito maior, que analisou o impacto da privação do sono na saúde mental de estudantes.

Pesquisadores recrutaram mais de 3,7 mil alunos de universidades do Reino Unido que já tinham relatado dificuldades para dormir.

Eles foram divididos aleatoriamente em dois grupos. O primeiro participou de seis sessões online de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) destinadas a melhorar o sono. Já o outro recebeu apenas conselhos padrão.

Dez semanas após o experimento, os estudantes que foram submetidos à terapia apresentaram uma redução de 50% nas taxas de insônia, acompanhada de melhorias significativas na pontuação para depressão e ansiedade, além de diminuição da paranoia e alucinações.

A pesquisa, considerada o maior estudo randomizado controlado de tratamento psicológico para a saúde mental, sugere fortemente que a insônia pode causar problemas de saúde mental, em vez de ser simplesmente uma consequência.

Daniel Freeman, professor de psicologia clínica na Universidade de Oxford, que liderou o estudo, acredita que uma das razões pelas quais a privação do sono é tão prejudicial para nossos cérebros é porque ela incentiva o pensamento negativo repetitivo.

“Temos mais pensamentos negativos quando somos privados de sono e ficamos presos neles”, explica.

Ele não acredita, no entanto, que algumas noites mal dormidas signifiquem que a pessoa vai ter uma doença mental. Mas, segundo ele, o risco de fato aumenta.

“A cada noite, uma em cada três pessoas está tendo dificuldade para dormir. Talvez 5% a 10% da população geral tenha insônia. Muita gente lida com isso e segue com suas vidas. Mas isso aumenta o risco de uma série de dificuldades relacionadas à saúde mental.”

Mas há também o lado positivo. A pesquisa mostra que ter uma boa noite de sono pode ajudar a melhorar a sensação de bem-estar.

Norbert Schwarz, professor de psicologia da Universidade do Sul da Califórnia, faz uma metáfora.

“Ganhar US$ 60 mil (R$ 196 mil) a mais por ano tem menos efeito na sua felicidade diária do que uma hora a mais de sono por noite”, afirma.

Sendo assim, tenha uma boa noite.

Divórcio ligado a aumento do risco de acidente vascular cerebral (Medscape)

por Sue Hughes, equipe Medscape (10 de julho de 2017)

O divórcio parece conferir maior risco de acidente vascular cerebral (AVC) em comparação com outros estados civis (casado, solteiro não divorciado, ou viúvo), sugere novo estudo, com este efeito aparentemente mais pronunciado em homens.

O estudo, apresentado na recente 3rd European Stroke Organisation Conference (ESOC) 2017, mostrou que viver casado ou viver sozinho – solteiro ou viúvo – não alterou o risco de acidente vascular cerebral em grau clinicamente significativo, mas os índices de AVC foram mais elevados entre os homens divorciados.

“Já houve alguns estudos mostrando que o casamento está associado a menor risco de acidente vascular cerebral e outros eventos clínicos, mas as diferenças de distintas situações conjugais – celibato, viuvez ou divórcio – não foram respondidas”, comentou ao Medscape o coautor do estudo, Dr. Tom Skyhøj Olsen, médico do Bispebjerg University Hospital, em Copenhague (Dinamarca).

“Nossos dados parecem sugerir que não importa se você é casado ou solteiro – o que parece modificar o risco de AVC é a mudança das condições de vida associadas ao divórcio. E isso parece atingir mais os homens do que as mulheres”.

Dr. Olsen sugeriu que seus resultados podem ser explicados como o divórcio exercendo efeitos adversos no estilo de vida. “O divórcio costuma estar associado a uma avalanche de problemas – moradia, estresse econômico e emocional – e isso pode ser acompanhado de aumento do consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas”.

“As pessoas casadas geralmente têm um estilo de vida mais saudável do que as pessoas não casadas”, acrescentou o pesquisador. “Muitos estudos demonstraram isso. As pessoas casadas geralmente têm menores índices de tabagismo e de consumo de bebidas alcoólicas”.

Sobre a diferença observada entre os homens e as mulheres, o Dr. Olsen disse: “Nossos resultados podem sinalizar uma diferença de gênero na capacidade de se adaptar às mudanças que o divórcio traz. As mulheres podem lidar melhor com isso do que os homens”.

Para este estudo, os pesquisadores analisaram os dados do sistema de registro civil dinamarquês sobre idade, sexo, estado civil (casado, solteiro, divorciado ou viúvo), nível de escolaridade e renda disponível, além de dados do Danish Stroke Register(registro dinamarquês de AVC), que contém informações sobre todos os pacientes que deram entrada em algum hospital com diagnóstico de acidente vascular cerebral agudo na Dinamarca.

Os pesquisadores investigaram o estado civil de todos os pacientes com mais de 40 anos de idade internados em um hospital de 2003 a 2012 em comparação à população geral na Dinamarca. Os riscos relativos de acidente vascular encefálico em relação ao estado civil foram estimados com ajuste para idade, sexo, ano de ocorrência, renda familiar e nível de escolaridade.

O estudo incluiu 58.807 pacientes com história de AVC, dos quais 52% eram casados, 9% eram solteiros, 13% eram divorciados e 26% eram viúvos.

Os resultados mostraram que após o ajuste por idade, sexo, ano de ocorrência, renda e escolaridade, quando comparados às pessoas casadas, os solteiros não divorciados e os viúvos não apresentavam aumento do risco de AVC, mas os divorciados exibiam aumento significativo do risco de acidente vascular cerebral. Esse aumento do risco foi mais pronunciado entre os homens divorciados (hazard ratio, HR = 1,23) do que entre as mulheres divorciadas (HR = 1,11).

Tabela. Incidência de acidente vascular cerebral por estado civil entre homens e mulheres

Estado civil Risco relativo (intervalo de confiança de 95%)
Homens
Casados 1,00 (referência)
Solteiros 1,07 (1,03 a 1,11)
Divorciados 1,23 (1,19 a 1,27)
Viúvos 1,02 (0,98 a 1,06)
Mulheres
Casadas 1,00 (referência)
Solteiras 0,97 (0,97 a 1,03)
Divorciadas 1,11 (1,06 a 1,15)
Viúvas 1,00 (0,97 a 1,03)

O Dr. Olsen concluiu: “Nosso estudo parece refletir os benefícios de viver em harmonia – seja em parceria ou sozinho. Talvez não seja o fato de estar sozinho que aumente o risco, mas sim a desarmonia do divórcio. A maioria das pessoas que se divorciou vai dizer que esse período de suas vidas foi um período de desarmonia”.

“Precisamos pensar mais na nossa saúde em tempos de desarmonia, como o divórcio, mas isso é difícil, pois muitas vezes outras coisas a serem tratadas nesta época são aparentemente mais urgentes – a saúde pode não ser a prioridade”.

O estudo analisou somente o estado civil no ano anterior ao acidente vascular cerebral, de modo que os dados dele não abrangem o período de tempo durante o qual alguém esteve divorciado.

O estudo foi financiado pela Jascha Foundation, fundação de pesquisa privada na Dinamarca.

3rd European Stroke Organisation Conference (ESOC) 2017. Sessão SC16. Apresentado em maio de 2017.

Tabela. Incidência de acidente vascular cerebral por estado civil entre homens e mulheres

Estado civil Risco relativo (intervalo de confiança de 95%)
Homens
Casados 1,00 (referência)
Solteiros 1,07 (1,03 a 1,11)
Divorciados 1,23 (1,19 a 1,27)
Viúvos 1,02 (0,98 a 1,06)
Mulheres
Casadas 1,00 (referência)
Solteiras 0,97 (0,97 a 1,03)
Divorciadas 1,11 (1,06 a 1,15)
Viúvas 1,00 (0,97 a 1,03)

O Dr. Olsen concluiu: “Nosso estudo parece refletir os benefícios de viver em harmonia – seja em parceria ou sozinho. Talvez não seja o fato de estar sozinho que aumente o risco, mas sim a desarmonia do divórcio. A maioria das pessoas que se divorciou vai dizer que esse período de suas vidas foi um período de desarmonia”.

“Precisamos pensar mais na nossa saúde em tempos de desarmonia, como o divórcio, mas isso é difícil, pois muitas vezes outras coisas a serem tratadas nesta época são aparentemente mais urgentes – a saúde pode não ser a prioridade”.

O estudo analisou somente o estado civil no ano anterior ao acidente vascular cerebral, de modo que os dados dele não abrangem o período de tempo durante o qual alguém esteve divorciado.

O estudo foi financiado pela Jascha Foundation, fundação de pesquisa privada na Dinamarca.

3rd European Stroke Organisation Conference (ESOC) 2017. Sessão SC16. Apresentado em maio de 2017.

Antibióticos como tratamento adjunto nas Síndromes Depressivas?

Conventional antidepressant treatments result in symptom remission in 30% of those treated for major depressive disorder, raising the need for effective adjunctive therapies. Inflammation has an established role in the pathophysiology of major depressive disorder, and minocycline has been shown to modify the immune-inflammatory processes and also reduce oxidative stress and promote neuronal growth. This double-blind, randomised, placebo-controlled trial examined adjunctive minocycline (200 mg/day, in addition to treatment as usual) for major depressive disorder. This double-blind, randomised, placebo-controlled trial investigated 200 mg/day adjunctive minocycline (in addition to treatment as usual) for major depressive disorder.

A total of 71 adults with major depressive disorder (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders–Fourth Edition) were randomised to this 12-week trial. Outcome measures included the Montgomery–Asberg Depression Rating Scale (primary outcome), Clinical Global Impression–Improvement and Clinical Global Impression–Severity, Hamilton Anxiety Rating Scale, Quality of Life Enjoyment and Satisfaction Questionnaire, Social and Occupational Functioning Scale and the Range of Impaired Functioning Tool. The study was registered on the Australian and New Zealand Clinical Trials Register: www.anzctr.org.au, #ACTRN12612000283875.

Based on mixed-methods repeated measures analysis of variance at week 12, there was no significant difference in Montgomery–Asberg Depression Rating Scale scores between groups. However, there were significant differences, favouring the minocycline group at week 12 for Clinical Global Impression–Improvement score – effect size (95% confidence interval) = −0.62 [−1.8, −0.3], p = 0.02; Quality of Life Enjoyment and Satisfaction Questionnaire score – effect size (confidence interval) = −0.12 [0.0, 0.2], p < 0.001; and Social and Occupational Functioning Scale and the Range of Impaired Functioning Tool score – 0.79 [−4.5, −1.4], p < 0.001. These effects remained at follow-up (week 16), and Patient Global Impression also became significant, effect size (confidence interval) = 0.57 [−1.7, −0.4], p = 0.017.

While the primary outcome was not significant, the improvements in other comprehensive clinical measures suggest that minocycline may be a useful adjunct to improve global experience, functioning and quality of life in people with major depressive disorder. Further studies are warranted to confirm the potential of this accessible agent to optimise treatment outcomes.

(publicado no Australian & New Zealand Journal of Psychiatry)